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Diretor: Paulo Menano

Confirmado: Projeto solar Sophia foi chumbado


O primeiro-ministro, Luís Montenegro, confirmou esta quarta-feira que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) emitiu um parecer negativo à atual formulação do projeto da central solar Sophia, prevista para os concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha-a-Nova.

A confirmação foi feita durante o debate parlamentar em plenário da Assembleia da República, na sequência de uma questão colocada pela deputada Inês de Sousa Real, líder do PAN.

Embora o debate tenha sido marcado maioritariamente pelo tema das eleições presidenciais, a deputada procurou recentrar a discussão nas políticas ambientais, invocando o compromisso do Governo com a neutralidade climática. “Mudando o assunto para as políticas que interessam ao país — porque os portugueses lá em casa não querem com certeza um debate em torno das presidenciais — queria falar-lhe noutra neutralidade, que é a neutralidade climática”, afirmou.

Inês de Sousa Real confrontou ainda o primeiro-ministro com declarações proferidas por Luís Montenegro na COP30, relativas à preservação da biodiversidade e ao equilíbrio ambiental. “Tudo aquilo que fizermos a favor da preservação da biodiversidade, seja em que parte do planeta for, terá repercussão nas nossas vidas”, recordou.

“Pegando nas suas próprias palavras, queria colocar-lhe duas questões muito simples”, prosseguiu a deputada. “A primeira, em relação à Lei de Bases do Clima (…), depois em relação à central Sophia que é tudo menos aquilo que é a política verde. Que palavra é que tem a dizer à Beira Baixa, que neste momento está em avaliação da APA o projeto?”, questionou, antes de ver a sua intervenção interrompida por exceder o tempo regimental.

Na resposta, o primeiro-ministro esclareceu que o projeto não obteve parecer favorável por parte da entidade ambiental. “Relativamente à questão da central Sophia, a informação que tenho é que mereceu um parecer negativo da APA e, portanto, terá de ser reapresentado com outra formulação”, afirmou Luís Montenegro.

Apesar de ainda não ser conhecido qualquer despacho oficial da Agência Portuguesa do Ambiente, a empresa promotora do projeto, a Lightsource bp, já havia anunciado a intenção de reformular a proposta. A decisão baseia-se no parecer da comissão de avaliação, no relatório da consulta pública e num processo de escuta ativa junto das populações dos territórios abrangidos.