Covilhã: Familiares denunciam frio sentido por crianças na EB1 do Refúgio
Familiares de alunos da EB1 do Refúgio, na Covilhã, denunciam que crianças permanecem expostas ao frio durante as pausas letivas e no período de espera pelos encarregados de educação. A situação foi tornada pública através de uma publicação feita por uma avó no grupo de Facebook “Covilhã Cidade Neve”, à qual a Beira Baixa TV teve acesso.
“A minha neta pede todos os dias a uma funcionária para não ir para o túnel porque tem frio. Vem gelada para casa”, pode ler-se na publicação. Segundo o testemunho, após o término das aulas, as crianças permanecem num túnel desabrigado, com correntes de ar e sem aquecimento, enquanto aguardam pelos pais. A única sala existente para acolhimento é, segundo a mesma fonte, demasiado pequena para o número de alunos.
A escola, oficialmente designada EB1 do Refúgio, integra o Agrupamento de Escolas Pêro da Covilhã. A denúncia contrasta com o próprio nome do estabelecimento, numa cidade muitas vezes promovida como “o admirável refúgio no Centro de Portugal”.
A Associação de Pais Sementes do Refúgio confirma ter identificado a situação do túnel e problemas relacionados com a caldeira de aquecimento desde que a atual direção tomou posse, a 12 de novembro de 2025. Em comunicado enviado à Beira Baixa TV, a associação refere que as situações foram reportadas às entidades competentes ainda em novembro e, posteriormente, ao Departamento de Educação da Câmara Municipal da Covilhã, no início de janeiro.
“O tema foi também escalado ao Senhor Vereador com o pelouro das Infraestruturas, que enviou engenheiros e arquitetos da Câmara Municipal da Covilhã à escola para avaliação das condições existentes, pelo que aguardamos, neste momento, respostas e orientações por parte das entidades responsáveis”, refere a associação.
A Associação de Pais sublinha ainda que não lhe compete a resolução direta de problemas de infraestrutura escolar. “Compete-nos identificar, reportar e escalar as situações, procurando alcançar entendimento e soluções junto das entidades competentes”, esclarece, lembrando que a escola depende hierarquicamente da Câmara Municipal.
No que respeita à Componente de Apoio à Família (CAF), a associação afirma estar a trabalhar na melhoria das condições, destacando que, atualmente, entre as 17h30 e as 19h00, funciona o Atelier da CAF no refeitório da escola.
Contactada pela Beira Baixa TV, a Câmara Municipal da Covilhã (CMC) esclarece, em resposta escrita, que a caldeira da EB1 do Refúgio “se encontra em funcionamento, assegurando diariamente o aquecimento da escola”. O município admite a existência de uma avaria técnica, cuja reparação definitiva depende da substituição de uma peça ainda não entregue, mas garante que foi implementada uma solução provisória através da ligação manual diária da caldeira.
Relativamente ao espaço designado como “túnel”, a CMC explica que se trata de um antigo telheiro já alvo de melhorias, cuja utilização “destina-se exclusivamente à realização de atividades físicas e motoras, no âmbito letivo e da Componente de Apoio à Família”. O município acrescenta que, sempre que as condições meteorológicas sejam desfavoráveis, devem ser procuradas alternativas à utilização desse espaço, princípio que afirma ser do conhecimento da comunidade escolar.
A Câmara Municipal da Covilhã reafirma ainda o seu compromisso com a educação pública, a segurança das crianças e a melhoria contínua dos equipamentos escolares, destacando o trabalho desenvolvido em articulação com as escolas do concelho.
