Mais Beiras Informação

Diretor: Paulo Menano

Entrevista a Rui Dionísio, candidato à Câmara Municipal de Armamar


Rui Dionísio, após quase quatro anos à frente da Assembleia Municipal, apresenta-se em entrevista ao Mais Beiras Informação como candidato independente a Armamar com o projeto “Novo Rumo”. Propõe uma governação participativa e sem rótulos partidários, assente em oito eixos estratégicos — da agricultura ao turismo, da educação à saúde — e numa ambição clara: travar o despovoamento, valorizar o território e colocar as pessoas no centro das decisões.

1: Quais os motivos da sua candidatura a estas Autárquicas e quais os pilares da mesma?
Após quase quatro anos a presidir à Assembleia Municipal, aceitei o apelo de muitos Armamarenses para lançar o projeto denominado Novo Rumo para o concelho.

Esta candidatura independente, foi decidida depois de uma profunda reflexão, com sentido de responsabilidade e com a missão de colocar os interesses do concelho acima de qualquer outro. A minha determinação, empenho e compromisso será com as pessoas e com o projeto para o concelho que desejo ser participativo e transparente. Queremos construir um Novo Rumo com esperança, ambição e grande motivação onde serão todos bem-vindos independentemente da sua filiação partidária ou visão política.

Sou candidato para servir o nosso território, com uma equipa independente e plural. O plano assenta em oito eixos:

1) agricultura;

2) cidadania & ação social;

3) economia & valorização do território;

4) educação & formação;

5) governação & modernização;

6) juventude & habitação;

7) saúde, desporto & qualidade de vida;

8) turismo, cultura, identidade & património.

 

2: O que considera ter de diferente relativamente aos outros candidatos?

Cada pessoa é diferente da outra e certamente todos os candidatos têm caraterísticas, comportamentos e estilos de estar na vida distintos, relacionadas com traços de personalidade e com as suas experiências de vida.

Contudo a experiência profissional em saúde, educação, ação social e gestão pública são bases sólidas que considero essenciais para alavancar o futuro do concelho dentro do novo paradigma de políticas públicas configuradas pelas necessidades das pessoas e das instituições. Também o facto de liderar um projeto sem rótulo partidário que acolhe boas ideias de todos, é um dos aspetos diferenciador.

 

3: Quais os setores/áreas/investimentos que considera importantes impulsionar ou melhorar o município?

Queremos como independentes ter uma lógica no cidadão de modo que seja possível colocar em prática uma administração recetiva à cidadania e dar resposta às necessidades explicitas e implícitas das pessoas, dos empresários e entidades dos diversos setores da sociedade.

Refiro apenas algumas medidas que considero importantes e que têm de ser melhoradas no nosso município, existindo outras que serão apresentadas durante a campanha e que fazem parte do nosso projeto:

– Desburocratização: “Modelo Simplex” para investidores; transferência de competências para as freguesias e orçamento participativo.

– Turismo: marca “Armamar – Capital do Turismo Rural no Douro”, passadiços na Queda da Misarela, rede de miradouros.

– Agricultura & inovação: Centro de investigação em fruticultura, promoção dos vinhos Douro e Távora‑Varosa, mitigação dos efeitos das alterações climáticas.

– Ação social: Cartão do Medicamento para cada pessoa idosa para comparticipação de medicamentos ; melhoria de habitação de famílias carenciadas; programa de apoio às associações e instituições.

– Educação: cursos profissionais ligados a turismo/agricultura; CTESP em parceria com ensino superior; bolsas de mérito e sociais; vale escolar.

– Saúde: transporte de doentes oncológicos; apoio a vacinas e consultas pediátricas.

– Habitação: lotes municipais a preços acessíveis; isenção de IMT/IMI em reabilitação; apoio aos programas do IHRU.

– Infraestruturas: nova zona industrial; melhoria do acesso à A24; auditório municipal; fibra ótica em todo o concelho.

 

4: Qual a análise que faz aos últimos quatro anos do município?
Uma gestão com falta de estratégia global e pouco ambiciosa. Verificou-se um escasso aproveitamento do Portugal 2020/2030 e do PRR, assim como uma rede viária tardiamente requalificada e com intervenção de qualidade duvidosa. Não aproveitamos as nossas potencialidades no território, nomeadamente a paisagem património da Humanidade e a realização de eventos, como a Feira da Maçã e Montra Vínica como verdadeiras estratégias de promoção do nosso território e dos nossos produtos endógenos.

 

5: Falando de um município localizado num concelho situado no Interior, que políticas acredita serem necessárias implementar pelo Governo para diminuir o despovoamento e a desertificação desta região? O que pode inverter este rumo ou onde estão as potencialidades de crescimento?

 

Se pensarmos que a população residente do concelho caiu de 6 246 (2011) para 5 560 (2023) e em 2024 nasceram apenas 21 crianças, facilmente se compreende que estamos perante uma situação preocupante e que a todos nos deve inquietar.

O envelhecimento e despovoamento constituem desafios e encarar a realidade é essencial para resolvemos os problemas. Sabemos que não é só um problema do nosso concelho é também um problema de todo o interior. Mas considero que podemos e devemos dar sinais políticos que também podem ser indicativos de que queremos contribuir para que este problema estrutural e de difícil resolução merece a nossa atenção. Refiro como por exemplo, a criação de um programa de apoio e incentivo à natalidade, através da atribuição de cheque-prenda ou voucher que também contribuiria para a dinamização da economia local

Sabemos que o despovoamento do território está relacionado com fatores socioeconómicos que só podem ser corrigidos com a ajuda de políticas públicas centrais e nacionais eficazes. A par destas medidas destaco uma fiscalidade amiga do interior, investimento em empresas ligadas aos nossos produtos endógenos, uma diversificação económica, ensino profissional forte e habitação acessível para fixar e atrair famílias.

É imperativo um Novo Rumo para o nosso território onde devemos ter presente que a política deve estar ao serviço da vida e os políticos devem ter a obrigatoriedade de servir.