Excesso de mortalidade em Portugal: níveis mais altos desde a COVID-19
Portugal está a viver um período de mortalidade acima do esperado para esta época do ano, com números que não se viam desde os piores momentos da pandemia de COVID-19. Dados recentes divulgados pelas autoridades de saúde mostram que o país tem vindo a registar, desde o início de dezembro, um excesso de mortes que se prolonga por várias semanas consecutivas.
Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), o número total de óbitos registados no último mês foi cerca de 22 % superior ao esperado para esta altura do ano, uma medida clássica de “excesso de mortalidade” que compara as mortes reais com médias históricas.
O fenómeno tem sido observado desde início de dezembro, com picos notáveis logo na primeira semana de 2026. No dia 2 de janeiro, o país registou cerca de 540 mortes num único dia, um número que se aproxima dos valores mais elevados verificados durante a pandemia de COVID-19.
As autoridades e peritos apontam para vários fatores contributivos:
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Epidemia de gripe que começou mais cedo do que o habitual e atingiu com maior intensidade as faixas etárias mais vulneráveis, especialmente os idosos;
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Temperaturas muito baixas, que podem agravar doenças crónicas como as cardiovasculares e respiratórias;
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Condições climáticas severas que acentuam a fragilidade dos grupos de risco.
De acordo com relatórios preliminares, durante o último mês morreram mais de 2 600 pessoas em Portugal do que seria esperado num período normal, fazendo do país — naquele momento — um dos poucos na Europa com excesso de mortalidade contínuo.
Os especialistas afirmam que este cenário, embora preocupante, não é necessariamente sinal de uma crise sanitária semelhante à pandemia, mas sim o reflexo da combinação de fatores sazonais e virológicos que colocam pressão adicional sobre a população mais vulnerável. A DGS destaca a importância da vacinação contra a gripe e a COVID-19, bem como medidas preventivas para reduzir a transmissão de vírus respiratórios durante o inverno.
As autoridades garantem que continuarão a monitorizar atentamente a evolução da mortalidade e a divulgar novos dados à medida que estes se tornem disponíveis
