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Diretor: Paulo Menano

FORNOS DE ALGODRES: Vereador do PSD destaca liberdade e alerta para desafios da democracia


O PSD divulgou, na sua rede social de Facebook, o discurso proferido por João Gomes, Vereador do partido, durante a Sessão Solene das comemorações do 25 de Abril em Fornos de Algodres, afirmando:

“Hoje celebramos a democracia e a liberdade!

Aqui, em Fornos de Algodres, numa terra de Portugal, no continente europeu, juntamo-nos para celebrar e enaltecer a democracia e a liberdade!

O Homem na sua essência é livre e único e, por isso, só é inteiro e completo com liberdade!
O dia 25 de Abril de 1974, permitiu quebrar as restrições opressivas impostas pelo fascismo sobre o modo de vida, comportamento e visões políticas do povo português.

Foi este o dia inicial que nos permitiu, a cada um de nós, ser mais inteiro e completo.

Desde as primeiras assembleias populares na Mesopotâmia, em 2500 a. C., passando pela democracia de Atenas, em 500 a. C., pelo surgimento das cortes na Península Ibérica em 1188, pela Revolução Francesa em 1789, pela adoção da Declaração Universal dos Direitos do Homem em 1948, o Homem sempre procurou tomar nas suas mãos o seu destino e com isso mudou, ao longo do tempo, a sua História e a Historia do Mundo.

Foi também assim com a Revolução dos Cravos de 1974.

Esta nossa revolução contribuiu para que os portugueses, se voltassem a encontrar e dessem um enorme passo para se completarem como cidadãos, Homens e Mulheres, inteiros e livres.

A entrada em vigor da Constituição da República Portuguesa, em 25 de Abril de 1976 (faz hoje precisamente 50 anos) foi decisiva, uma vez que representou a passagem de um processo aberto e instável para um sistema político assente na soberania popular e no Estado de Direito.

Esta nossa Constituição tem no seu centro a defesa dos direitos humanos consagrando-os como pilares fundamentais da República Portuguesa, garantindo a dignidade da pessoa humana, a igualdade e as liberdades fundamentais.

Desta forma, os portugueses voltaram a ter o poder nas suas mãos e escolheram um outro caminho para suas as vidas e para Portugal.
Escolheram mais liberdade, de pensamento e ação,
Escolheram mais educação,
Escolheram mais saúde,
Escolheram mais justiça,
Escolheram mais oportunidades,
Escolheram mais prosperidade,
Escolheram mais igualdade!
Estas escolhas mantêm-se atuais e, por isso, mantêm-se inacabadas!
No entanto, apenas retóricas inflamadas de populistas extremados, não reconhece a extraordinária evolução social, política e económica que Portugal sofreu, desde a revolução iniciada pelo Movimento dos Capitães.

Evolução essa, que poderia ter uma dimensão mais positiva, justa e humanista se, parte das elites políticas e económicas, não fosse tão extrativa, corporativista e centralizadora.

Apesar disso, as instituições políticas portuguesas tornaram-se mais inclusivas, incentivando o aparecimento de instituições económicas, também elas, cada vez mais inclusivas!

E com isso, Portugal mudou!

Também Fornos de Algodres mudou!

A liberdade trouxe mais ideias e opiniões, mais exigência e ambição… e a nossa terra conheceu uma grande evolução.

Quero destacar o empoderamento que cada fornense (e as mulheres em particular) teve com a liberdade de ação e pensamento (mesmo que nem todos se apercebessem disso no início) e, também, com a gradual e crescente igualdade de oportunidade e opções de vida.

O voto local, em Fornos de Algodres, veio alterar as estruturas de poder.

As nossas autarquias locais, legitimadas pela escolha da nossa população, autonomizaram-se e, com mais ou menos ambição, passaram a defender e a lutar pelo desenvolvimento integrado das populações e localidades, resolvendo problemas estruturais enormes como acesso à água, saneamento, energia, iluminação, estradas, habitação…

Podemos mesmo dizer que a substituição da comissão administrativa municipal pelas autarquias (município e freguesias) eleitas pelos cidadãos foi crucial para o desenvolvimento de Fornos de Algodres e da sua população.

A nossa terra, nas décadas de 70 e 80 do Sec. XX fervilhava de opções políticas abertas e saudavelmente expostas entre os cidadãos.

As diversas eleições eram vividas com entusiamo e esperança!

A inocência da liberdade de expressão e opinião era maravilhosa!

O afrontar irreverente por parte da juventude, dos costumes exagerados e confortavelmente conservadores foi transformador!

Os fornenses passaram a tirar o chapéu, apenas a quem merecia!

Chegados aqui, verificamos e constatamos que, apesar de termos evoluído de forma notável e extraordinária, a liberdade e o progresso social e económico não estão concluídos.

Esta premissa de um 25 de Abril continuamente inacabado, fruto também da nossa salutar ambição enquanto povo, não pode incorporar, aceitando como normal, que mais de meio seculo após a revolução, haja condicionamento e pressão entre cidadãos, que querem participar e intervir mais ativamente no futuro da sua terra.

Não podemos aceitar nem encolher os ombros, como se esta situação fosse normal, e fizesse parte do quotidiano.

É importante garantir que todos aqueles que aceitam integrar listas para as diferentes assembleias representativas, o façam de forma livre, consciente e sem qualquer tipo de condicionamento que os faça recuar, tal como está determinado na Constituição da nossa República, que hoje celebra 50 anos.

Todos nós temos de ter a sensibilidade e a noção de perceber que ao condicionarmos e colonizarmos a vontade genuína e primeira de um ser humano, estamos a tirar-lhe a sua essência, a violar a sua liberdade de pensamento e a sua dignidade enquanto Homem.

Aprofundar este pensamento, considerá-lo e levá-lo a sério, é essencial para a igualdade e respeito absolutos que devemos uns aos outros. Até porque respeito não é apenas cumprimentos, palavras suaves e sorrisos fáceis!

Precisamos de um aprofundamento do nosso sentido democrático, que impeça a utilização do estado e o aproveitamento da fragilidade das pessoas e das suas circunstâncias.

Nestas minhas considerações, não vejam, a diferenciação nós-eles. Todos temos responsabilidades, pessoais, de grupo e partidárias, nesta forma de atuar imperfeita, como imperfeita e frágil é a natureza humana.

Temos, no entanto, de, pelo menos, nos apercebermos dela e ter a coragem de melhorar. Todos nós!

Minhas senhoras e meus senhores, num tempo extremamente instável e inquieto, verificamos que, nada estando garantido, nomeadamente a democracia e a liberdade, é cada vez mais necessário promovermos uma cidadania ativa e caminhar juntos, com ambição, para o desenvolvimento equilibrado da nossa terra e para o exercício de uma democracia sensível, humanista e madura.

Honrar o 25 de Abril no sec. XXI é, também, prestar, cada vez mais, atenção aos pormenores e à maneira como vai sendo modelada a nossa democracia.

Viva o 25 de Abril!

Viva a Liberdade!

Viva Fornos de Algodres!

Viva Portugal!”