FORNOS DE ALGODRES: Cantou-se António Menano nas festividades de S.Miguel Arcanjo
Cantou-se na noite de ontem fado pelo fadista Fábio Borges, nas festividades de São Miguel Arcanjo padroeiro da paróquia e concelho de Fornos de Algodres.
Momentos para recordar António Menano que cantou a “Cançao de Fornos “pelo mundo.
António Menano, o “rouxinol do Mondego”
António Paulo Menano nasceu em Fornos de Algodres a 5 de maio de 1895, sendo filho de António da Costa Menano e de Januária Augusta. Cresceu no seio de uma família de 14 irmãos destacando-se, desde muito cedo, pela sua voz de tenor. Era irmão de Francisco Menano, também compositor e cultor da guitarra de Coimbra.
Em 1915, António Menano ingressou no curso de Medicina da Universidade de Coimbra e abraçando a paixão pelo fado de Coimbra. Nesse mesmo ano, em Aveiro, sobressaiu com a interpretação de um fado num Sarau organizado pela Associação Académica de Coimbra, e que contou com a participação da Tuna e do Orfeon.
Foi também em 1915 que surgiu a primeira edição musical com fados de autoria de António Menano, e que são o fado “D´Um Olhar”, o “Fado das Morenas” e o “Fado da Noite”.
Com a reorganização do Orfeon Académico e sob a regência do Dr. Elias de Aguiar, António Menano, foi convidado, para o referido grupo, como solista e ensaiador. Desta forma passou a atuar com bastante regularidade em espetáculos, saraus e outras atividades. Anos mais tarde, António Menano integrou a Direção do Orfeon Académico, mantendo-se a extensa programação e concertos em palcos nacionais e internacionais.
António Menano tornar-se-ia o cantor de Coimbra mais conhecido e de maior fama em todo o país, com as gravações que fez entre os anos de 1927 e 1929, em Paris, Lisboa e Berlim, para a companhia Odeon de Paris.
Após a conclusão do curso fixou-se na sua terra natal, Fornos de Algodres, exercendo a profissão de médico numa clínica, continuando, no entanto, ligado ao meio artístico e académico. Em 1933, abandonou a carreira artística e partiu voluntariamente para Inhaminga, em Moçambique, onde exerceu medicina. Regressou definitivamente a Portugal em 1961.
António Menano faleceu em 11 de Setembro de 1969. No dia seguinte, o jornal “Diário de Notícias”, comunicava da seguinte forma o seu falecimento: “A melhor, a mais romântica voz de Coimbra, calou-se para sempre. Chamava-se António Menano.”
