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Diretor: Paulo Menano

Fundão: População de Mata da Rainha vive sem água canalizada desde agosto por disputa de terreno


A aldeia de Mata da Rainha, no concelho do Fundão, vive há mais de cinco meses sem abastecimento de água canalizada, depois de uma rutura na conduta de abastecimento que ainda não foi reparada devido a uma disputa com proprietários de terreno onde se encontra a infraestrutura.

Desde agosto de 2025, a população tem sido abastecida por um camião-cisterna, que diariamente fornece água ao depósito da aldeia. A solução temporária tem sido garantida pela empresa Águas do Vale do Tejo (AdVT), do grupo Águas de Portugal (AdP), mas o recurso a cisternas tem custos adicionais e levanta problemas de sustentabilidade a longo prazo.

O problema começou quando uma conduta de água foi identificada como partida num troço situado em Pedrógão de São Pedro, no concelho de Penamacor. No entanto, os donos do terreno onde está a conduta têm impedido a entrada dos técnicos para reparação, alegando tratar-se de propriedade privada e que a infraestrutura foi instalada sem o seu consentimento.

O presidente da União de Freguesias de Vale de Prazeres e Mata da Rainha, Paulo Afonso Boavida, revelou que a situação tem gerado impactos, tanto na logística de abastecimento como na infraestrutura rodoviária local, devido ao peso dos veículos cisterna. Para além disso, as condições do depósito de água local exigem intervenção, pois apresenta fissuras e necessidade de manutenção.

Em resposta, a AdP afirmou que continuará a assegurar o fornecimento de água em quantidade e qualidade, prevendo a formalização de um acordo com os proprietários para permitir a reparação da conduta. Entretanto, a recuperação total do sistema depende de um entendimento que ainda não foi alcançado.

O município de Fundão tem acompanhado a situação, recordando que o corte do abastecimento foi detetado durante o período dos incêndios na região, e enalteceu o esforço para garantir que a população não ficasse sem acesso regular à água.