FUNDÃO: Quando a indignação fala mais alto que os comunicados
Foi recebido na redação do Mais Beiras Informação ,o seguinte comunicado enviado pela CDU – Coligação Democrática Unitária do Fundão,cujo texto passamos a transcrever. O conteúdo e as posições expressas são da inteira responsabilidade da entidade subscritora.
“O comunicado do PSD Fundão sobre a remoção das oliveiras da Escola Secundária do Fundão acaba por confirmar uma evidência: a denúncia da CDU Fundão gerou uma onda de indignação e de comentários entre muitos fundanenses que não ficaram indiferentes ao desaparecimento das árvores.
Basta ler os comentários que rapidamente surgiram para perceber o descontentamento e a preocupação legítima de muitos cidadãos perante o desaparecimento de árvores num período marcado por temperaturas cada vez mais elevadas e pela necessidade de reforçar as áreas verdes
urbanas.
A verdade é que só depois das imagens circularem e da contestação pública ganhar dimensão surgiu uma tentativa de justificação para o sucedido. E essa tentativa veio pela voz do PSD, numa evidente operação de controlo de «danos políticos».
O PSD prefere discutir se eram 40 oliveiras ou 17, ou até 27. Mas a questão principal permanece: existiam oliveiras plantadas pela comunidade escolar e essas oliveiras foram removidas sem qualquer informação pública prévia.
Importa recordar a origem daquele espaço. As oliveiras não apareceram por acaso. Resultaram de um projeto educativo dinamizado pela disciplina de Biologia e uma turma do 11º ano. Cada aluno plantou uma oliveira, atribuindo-lhe o seu próprio nome, num gesto que reforçou a ligação pessoal e afetiva ao projeto e ao espaço, num exercício de educação ambiental, cidadania e ligação ao território. Estamos a falar de um património construído por alunos, professores e funcionários ao longo de vários anos.
Mas, a situação assume ainda maior significado pelo próprio nome do local. O espaço era conhecido como Olival da Laje e foi precisamente aí que alunos plantaram dezenas de oliveiras, reforçando a identidade e a memória daquele lugar. Não se tratava apenas de árvores. Tratava-se de um projeto pedagógico, de um gesto coletivo de ligação ao território e de uma forma de dar novo sentido a um espaço cujo nome evocava precisamente a presença das oliveiras. A sua remoção representou, por isso, não apenas uma alteração física da paisagem, mas também a perda de um elemento com forte valor simbólico e comunitário.
Por isso, a questão não é apenas ambiental. É também educativa e simbólica.
Entretanto, começam a surgir testemunhos que ajudam a perceber melhor a realidade. Há quem refira que algumas das oliveiras mais pequenas terão sido danificadas ao longo dos anos durante trabalhos de manutenção dos espaços verdes. Outros recordam que o local nunca recebeu os cuidados adequados para valorizar plenamente o projeto inicial. Tudo isto contrasta com a imagem agora apresentada pelo PSD de uma intervenção cuidadosamente planeada e integrada numa estratégia ambiental exemplar.
Mais significativo ainda é o facto do PSD/CMF ter sentido necessidade de garantir que as oliveiras seriam replantadas e que a zona exterior seria requalificada. Se assim é, então a denúncia pública serviu para colocar o problema no centro das atenções e para obrigar a assumir compromissos concretos relativamente ao futuro daquele espaço.
A CDU Fundão regista positivamente qualquer compromisso de replantação e valorização ambiental dos espaços verdes exteriores da Escola Secundária, bem como da sua adequada manutenção. Mas não abdica de afirmar que a situação nunca deveria ter chegado a este ponto.
O que incomodou muitos fundanenses não foi apenas a remoção das oliveiras. Foi a sensação de que um projeto construído pela comunidade escolar podia desaparecer de um dia para o outro sem explicações, sem envolvimento dos seus autores e sem qualquer debate público.
A melhor resposta a esta polémica não é um comunicado partidário. É a apresentação pública do plano de replantação, a recuperação efetiva daquele património e o envolvimento da escola e dos antigos alunos nas decisões sobre o futuro do espaço.
Porque as árvores, se resistirem, podem ser replantadas. A confiança das pessoas nas instituições é mais difícil de recuperar e manter.”
CDU Fundão
