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Diretor: Paulo Menano

GUARDA: António José Seguro destinguiu a A.H.B. Voluntários Egitanienses com o grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito


A Guarda assinalou este domingo, 9 de agosto, os 150 anos de uma instituição, numa cerimónia comemorativa que contou com a presença do Presidente da República. As celebrações incluíram o hastear da bandeira, a imposição das Medalhas Comemorativas do 150.º aniversário e uma sessão solene, culminando com o tradicional desfile motorizado pelas principais ruas da cidade.

150 anos de missão dos Bombeiros Voluntários Egitanienses

A visita do Presidente da República à Guarda ficou ainda marcada pela homenagem aos Bombeiros Voluntários Egitanienses, que celebram 150 anos de história e serviço à comunidade. António José Seguro evocou o espírito de missão dos bombeiros e recordou também Carlos Dâmaso, presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca do Deão, que morreu a 15 de agosto de 2025 enquanto combatia um incêndio na sua freguesia.

“É um exemplo de que há pessoas capazes de arriscar a própria vida pela vida dos outros”, destacou o Presidente, numa homenagem extensível a todos os bombeiros portugueses.

Para António José Seguro, as associações humanitárias nasceram da vontade das populações e continuam a desempenhar uma missão essencial, colocando a pessoa no centro da sua ação.

“Memória, respeito e gratidão” são, nas palavras do Presidente da República, aquilo que Portugal deve aos bombeiros.
Durante a cerimónia, a Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Egitanienses foi distinguida com o grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito, numa homenagem que assinala 150 anos de dedicação à Guarda e às suas populações.

Da Guarda fica, assim, uma mensagem que ultrapassa a cerimónia e se dirige a toda a região: proteger a Serra da Estrela é proteger um dos maiores patrimónios das Beiras. E proteger as populações começa muito antes de chegar o fogo.

A Serra da Estrela voltou hoje ao centro do debate nacional, com o Presidente da República, António José Seguro, a deixar uma mensagem clara: a revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela não pode continuar adiada.

Na Guarda, durante as comemorações dos 150 anos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários Egitanienses, o chefe de Estado lembrou que a promessa de recuperar e revitalizar a Serra da Estrela “se arrasta há demasiado tempo”, desde os grandes incêndios de agosto de 2022, que devastaram parte significativa deste território durante mais de duas semanas.

“Quatro anos depois, essa promessa continua por cumprir”, afirmou António José Seguro, lembrando os 155 milhões de euros anunciados para a revitalização da Serra da Estrela, dos quais, segundo o Presidente, “quase nada foi investido”.

Num momento em que se assinalam os 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela, António José Seguro defendeu que é tempo de ultrapassar o chamado “passa-culpas” e avançar com medidas concretas para proteger, recuperar e valorizar aquele que considera ser um dos principais ativos dos territórios do interior de Portugal.

A mensagem deixada na Guarda é particularmente relevante para toda a região das Beiras: a Serra da Estrela não é apenas um património natural de excelência, mas também um território estratégico para o turismo, para a economia, para a biodiversidade e para a qualidade de vida das populações.

O Presidente da República alertou ainda para a urgência de evitar que as medidas propostas acabem novamente “na gaveta”, adiadas sem prazo, defendendo uma atuação baseada na prevenção, na ciência e numa maior capacidade de resposta perante os incêndios e outros fenómenos extremos.

António José Seguro voltou também a insistir na necessidade de melhorar a prevenção e a capacidade de resposta aos incêndios, lembrando as conclusões dos relatórios que têm sido produzidos nos últimos anos e sublinhando que muitas das falhas identificadas depois dos incêndios de 2017 permanecem por resolver.

Perante as vagas de calor, as intempéries, os sismos e a crescente frequência de incêndios devastadores, o Presidente defendeu uma ação “atempada, mobilizadora e cientificamente fundamentada”, colocando a proteção das comunidades no centro das prioridades.

Uma Serra que precisa de mais do que promessas

A posição assumida por António José Seguro deixa um desafio claro aos responsáveis políticos: a Serra da Estrela precisa de investimento, planeamento, prevenção e execução.
Meio século depois da criação do Parque Natural, e quatro anos após os incêndios de 2022, o futuro deste território não pode continuar dependente de anúncios sucessivos. A revitalização da Serra da Estrela exige uma estratégia integrada, com calendário, investimento e responsabilidades bem definidas.

É também uma questão de respeito por um território que é património de todos os portugueses, mas que representa, diariamente, a identidade, a economia e o futuro de muitas comunidades das Beiras.