Mais Beiras Informação

Diretor: Paulo Menano

Loja de cânhamo na Covilhã denuncia “injustiça” após operação policial


Uma loja especializada em produtos de cânhamo na Covilhã afirma ter sido alvo de uma ação das autoridades que os proprietários classificam como “injusta” e prejudicial para o negócio. A operação ocorreu no passado dia 2 de março e resultou na apreensão de diversos produtos da loja LYNX – Hemp Products, segundo os responsáveis pelo estabelecimento.

De acordo com os proprietários, a intervenção fez parte da operação nacional denominada “Portugal Sempre Seguro 2026”. Durante a ação, as autoridades terão apreendido o stock da loja com base em testes rápidos de reagente, método que, segundo os responsáveis da empresa, não permite distinguir corretamente entre cânhamo industrial legal e substâncias estupefacientes.

Os donos do estabelecimento alegam que os produtos comercializados eram legais e estavam enquadrados na legislação europeia relativa ao cânhamo industrial. Em declarações públicas divulgadas nas redes sociais, os responsáveis afirmam que a ação das autoridades teve um impacto significativo no negócio e poderá colocar em risco a continuidade da atividade.

Além da apreensão do material, os proprietários criticam também a forma como a operação terá sido conduzida. Segundo relatam, a atitude dos agentes foi “agressiva e pouco cooperante”, apontando ainda para aquilo que consideram ser um “desconhecimento do mercado do cânhamo” por parte das autoridades.

Os responsáveis da loja afirmam ainda que a situação pode ter origem numa interpretação errada da legislação europeia, referindo que decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia têm reconhecido a legalidade da comercialização de determinados produtos derivados do cânhamo.

Face ao sucedido, os proprietários dizem estar a ponderar avançar com queixas e recorrer a instâncias europeias para contestar a apreensão e defender o setor. “Estão a destruir negócios legítimos e famílias para alimentar estatísticas políticas”, afirmam numa publicação pública.

A operação “Portugal Sempre Seguro 2026”, realizada em vários pontos do país, teve como objetivo reforçar o combate ao tráfico e à comercialização ilegal de substâncias. Até ao momento, não foram divulgados pelas autoridades detalhes específicos sobre a intervenção realizada na Covilhã.

O caso está agora a gerar debate entre comerciantes do setor do cânhamo e defensores da regulamentação clara destes produtos, que defendem maior formação das autoridades e maior clarificação legal para evitar situações semelhantes no futuro.