Mais Beiras Informação

Diretor: Paulo Menano

Autárquicas 21: Entrevista a Luís Lourenço, candidato à Câmara Municipal do Fundão, pela CDU


Após quatro anos de mandato, retomam agora as eleições para as Autárquicas 2021 e o Mais Beiras Informação decidiu ir ao encontro dos candidatos, colocando-lhes algumas questões, para que possam partilhar a sua visão e planos para o futuro do Município a que se candidatam. Luís Lourenço é o candidato pela CDU  à Câmara Municipal do Fundão.

 

Quais os motivos da sua candidatura a estas Autárquicas?

Desde há mais de vinte anos a residir no Fundão sempre me preocupei com as questões sociais, políticas e económicas do concelho. Por essa razão a minha intervenção cívica tem-se concretizado, não exclusivamente, mas fundamentalmente através da participação como eleito na Assembleia Municipal. Intervenção que tem sido, quase unanimemente, reconhecia como positiva. Por outro lado, na minha atividade profissional, enquanto Professor Universitário, desempenhei cargos de responsabilidade quer como Presidente de Faculdade, Presidente de Departamento e, nos últimos tempos, como Provedor do Estudante. Agora que estou aposentado considero que tenho o conhecimento, a experiência, o empenho e a disponibilidade para assumir outras responsabilidades a nível autárquico. Por isso aceitei o desfio que foi lançado de assumir a Candidatura da CDU à Câmara Municipal do Fundão. Entendo que posso protagonizar uma mudança que o Município necessita, para que pessoas, atividades, freguesias e áreas de intervenção, que têm sido esquecidas, não fiquem para trás.

 

O que considera ter de diferente dos outros candidatos, para se candidatar a este mandato?

O conhecimento, a experiência, o empenho e a garantia de que o meu único objetivo é o de servir os Concelho sem quaisquer outros condicionantes de carreira, política ou outra. Diferenciador é também o posicionamento relativamente à atividade autárquica. Seja em maioria ou em minoria assumiremos responsabilidades sempre na perspetiva de encontrar as soluções necessárias e adequadas aos problemas que enfrentamos. Finalmente é distintivo o facto de estra integrado num coletivo, a CDU cuja prática faz jus ao seu lema: Trabalho, Honestidade e Competência

 

Quais os setores que considera importantes impulsionar ou melhorar na região?

A resposta a esta pergunta seria o ponto de partida para a resolução para as gritantes desigualdades regionais que se verificam em Portugal. Não tenho pretensões a ter soluções prontas a ser servidas. Há, porém, duas ou três coisas que sei. Sem que se criem as condições adequadas, não se fixam populações no interior. É claro que são necessários empregos com salários dignos. Mas, é preciso muito mais: Ao nível da Saúde, com respostas adequadas na região que não nos obriguem a constantes deslocações a Coimbra, Lisboa ou outros centros; Ao nível da de Educação a começar por oferta publica de creches e pré-primário; Ao nível dos transportes, abolindo as portagens, investindo na ferrovia e criando uma rede publica de transportes que conjugue a oferta tradicional com soluções flexíveis, que interliguem as cidades da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco e não esqueçam as freguesias; Ao nível dos vários serviços públicos revertendo encerramentos e concentração no litoral; Ao dos tempo livres com uma oferta cultural diversificada, etc., etc. É claro que, para que se crie um círculo virtuoso de desenvolvimento, o investimento produtivo é imprescindível. Nesta área entendo que é fundamental que se aposte mais na modernização e na implementação de novas tecnologias ás atividades tradicionais e já enraizadas que lhes dê um novo folgo, mais do que se investir em empreendimentos desenraizados, por vezes investimentos “beduínos” que a qualquer momento levantam a tenda.

 

Nestes quatro anos que passaram, o que faria de diferente relativamente ao executivo Camarário vigente?

A Câmara Municipal do Fundão tem apostado numa política de imagem. Os recursos são escassos e o Município está fortemente endividado, por isso há que ser criterioso, porém, não se pode fazer publicidade enganosa. O Fundão do marketing municipal não corresponde à realidade. O Fundão, no que diz respeito aos serviços básicos (limpeza, recolha de lixo, cuidado dos espaços públicos, etc.) vias publicas, transportes está a degradar-se. Quem insiste em continuar a viver, trabalhar e investir aqui, tem sido muitas vezes ignorado ou preterido. Há que inverter estas opções para se construir “um Fundão para Todos” e que seja, de facto, atrativo.

 

Acredita que os recursos de que dispõe a Câmara são suficientes para fazer face às necessidades dos cidadãos que aqui residem?

Como disse antes os recursos são escassos e o Município do Fundão está fortemente endividado. Por isso, para além de ser critérios nos investimentos é necessário exigir do poder central forte intervenção nas áreas que são da sua responsabilidade.

 

Sendo um conselho situado no Interior, que políticas acredita serem necessárias implementar pelo Governo para diminuir o despovoamento e desertificação?

Para parar e reverter o despovoamento é necessário que haja mais nascimentos, que quem aqui nasça não tenha necessidade de sair e seja possível atrair gente de fora. Por isso, para além das políticas de investimento nas áreas da educação, saúde, rede viária e ferroviária já referidas, é necessário criar condições de atratividade para o investimento e fixação de população. Contudo, apesar de “unidades de missão” ou secretarias de estado as decisões do poder central não têm tido os resultados desejados. Fundamentalmente porque são tomadas sem ter em atenção as especificidades regionais. Pra nós para a CDU, um verdadeiro desenvolvimento regional sustentado requer a existência de um poder regional, legitimado democraticamente, e com as competências e recursos adequados. Tal não é possível através das CIMs, espartilhadas e sem legitimidade eleitoral própria, nem pelo poder desconcentrado, mas diretamente dependente do Terreiro do Paço, das CCDRs. É necessário que sejam criadas as Regiões.

 

Que medidas pretende implementar para captar investidores para o concelho?

Há que, não apenas captar investidores de fora, mas também apoiar os investidores que já desenvolvem a sua atividade no Concelho. Por isso entendemos que a Câmara Municipal deve dispor de um gabinete/serviço específico que disponibilize, de forma transparente, toda a informação sobre incentivos e medidas específicas de apoio, coordene as iniciativas de estudo e divulgação necessárias. É preciso ser proativo, mas com rigor, transparência e prestação de contas.

 

Como acha que deve a Câmara proceder, para procurar fazer face ao desemprego crescente na região?

Para combater o desemprego é necessário salvaguardar os empregos existentes e propiciar a criação de novos. No que diz respeito a este aspeto específico, pouco mais há dizer do que o que já foi apresentado nas respostas anteriores. Mas é fundamental que emprego seja qualificado, produtivo, bem pago e com direitos.  Uma economia orientada para o trabalho sazonal e para empregos precário não é a solução. Nesta área a Câmara Municipal poderá também dar um contributo direto. por um lado, reassumindo serviços que privatizou, por outro, regularizando contratos de trabalho precário que saltam de POC em POC. São medidas que poderão não ter um peso numérico significativo, mas têm, de certeza, um peso de um bom exemplo.

 

Que conselho daria a um deslocado em busca de novas oportunidades no Interior?

O Fundão é uma terra naturalmente atrativa. Encostada à Serra da Gardunha com a Estrela na Paisagem. Localiza-se na Cova da Beira, um vale fértil onde a atividade agrícola e as atividades a montante e a jusante têm um peso significativo. Está relativamente perto da Covilhã e da sua Universidade. Tem potencialidades, portanto. Mas prepare-se para alguns problemas nomeadamente de acesso a saúde e de transporte público. Se as coisas não mudarem necessitará de transporte próprio.

 

Fernando Gil Teixeira