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Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: Atividade física segura na diabetes tipo 2


NOTA INTRODUTÓRIA

Este texto informativo tem como objetivo apresentar as diretrizes para garantir a segurança na prática de atividade física planeada, estruturada e repetitiva por parte de adultos e idosos com diabetes tipo 2.

NOTAS DE RELEVO PARA A ESCOLHA DESTE TEMA

  • A Diabetes tipo 2 está associada a complicações, como mau controlo glicémico, pé diabético, retinopatia, nefropatia, doença arterial coronariana.
  •  As características típicas dos adultos e idosos com diabetes tipo 2 (índice de massa corporal elevado; muito tempo em comportamentos sedentários; complicações associadas à doença) conduzem a maior risco de eventos adversos.

EVENTOS ADVERSOS E CUIDADOS A TER NA PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA

DESIDRATAÇÃO
Há maior risco de desidratação em pessoas com hiperglicemia. As pessoas com diabetes tipo 2 devem iniciar o exercício bem hidratados e ingerir cerca de 0,5 litros de água por hora durante o exercício. Pode haver necessidade de maior aporte de água, dependendo da intensidade da atividade, da medicação que a pessoa estiver a tomar e da temperatura ambiente.

HIPOGLICEMIA E HIPERGLICEMIA
REGRAS DE OURO NA AVALIAÇÃO DA GLICEMIA ANTES DA ATIVIDADE FÍSICA
Com valores de glicemia abaixo de 100 mg/dL, a pessoa não deve iniciar uma sessão de atividade física de intensidade moderada a vigorosa. – RISCO DE HIPOGLICEMIA

Neste caso a pessoa deve:
1. Ingerir alimentos que fornecem aproximadamente 15 gramas de hidratos de carbono de absorção rápida (exemplos: 1 pão OU 4 bolachas OU 1 iogurte OU 1 peça de fruta
2. Aguardar 15 minutos
3. Após esse tempo, verificar novamente a glicemia:
– Se os valores estiverem acima de 100 mg/dL a pessoa pode iniciar a sessão de atividade física.
– Caso contrário, repetir os passos 1. e 2. até que os valores de glicemia se encontrem acima de 100 mg/dL.

Valores de glicemia entre 100 mg/dL e 300 mg/dL são considerados ideais para que a pessoa possa iniciar uma sessão de atividade física de intensidade moderada a vigorosa.

Com valores de glicemia acima dos 300 mg/dL (hiperglicemia grave), a pessoa não deve fazer atividade física de intensidade moderada a vigorosa. – RISCO DE CETOACIDOSE DIABÉTICA E DESIDRATAÇÃO.

Neste caso, a pessoa deve fazer repouso e hidratação até que os valores baixem dos 300 mg/dL. Caso isso não aconteça, a pessoa não deve iniciar uma sessão de atividade física de intensidade moderada a vigorosa.

A glicemia deve ser verificada antes, durante, imediatamente após e até várias horas depois do exercício para prevenir episódios de hipoglicemia e hiperglicemia.

A autoavaliação da glicemia capilar (através da picada no dedo) OU monitorização contínua de glicose (através de um sensor colocado sob a pele) são as duas principais formas de avaliação da glicemia.

PROBLEMAS NOS PÉS

As pessoas com diabetes tipo 2 devem usar calçado desportivo adequado (calçado confortável feito de couro macio e maleável, com palmilha amortecida e frente larga) e examinar os pés antes e depois do exercício.

Pessoas sem lesões ativas nos pés podem realizar caminhadas de intensidade moderada

Pessoas com lesões ativas nos pés (incluindo úlceras) devem restringir o exercício a atividades sem o peso do próprio corpo, como: bicicleta estática, natação e outras atividades aquáticas (por ex: hidroginástica) e exercícios realizados numa cadeira.

PROBLEMAS OCULARES

Pessoas com retinopatia diabética devem ter cuidados suplementares durante a prática de atividade física.

Os indivíduos com retinopatia diabética devem evitar atividades com saltos, exercícios de intensidade vigorosa, ou qualquer exercício no qual a pessoa sustenha a respiração— pois aumentam o risco de lesões oculares graves.

Desportos de contato físico e desportos com bola devem ser evitados.

Os exercícios recomendados incluem atividades sem contato e de baixo impacto, como por exemplo: caminhadas, hidroginástica e natação.

NEFROPATIA DIABÉTICA

A Nefropatia diabética é caracterizada por danos progressivos nos rins, decorrente dos níveis elevados de glicose no sangue.
Indivíduos com nefropatia diabética não necessitam de restrições ao exercício. No entanto, é aconselhada a realização de um teste de esforço para detetar respostas anormais durante o exercício.

RISCO DE PROBLEMAS MUSCULOESQUELÉTICOS

A idade avançada, o perfil antropométrico (excesso de gordura corporal em geral, e mais especificamente na zona abdominal) e a  prevalência de comportamentos sedenelevadatários em indivíduos com diabetes tipo 2 podem predispor a um maior risco de problemas musculoesqueléticos.

Indivíduos com excesso de peso ou osteoartrite podem ter dificuldades com exercícios realizados com o peso do próprio corpo, como caminhada. Atividades de baixo impacto, como bicicleta estática, atividades aquáticas ou exercícios de força são alternativas recomendadas.
O uso de palminhas com absorção de impacto, materiais de suporte articular externo (por exemplo: joelheiras) e exercícios de fortalecimento articular são recomendados para prevenção/controlo de problemas musculoesqueléticos.

INTERAÇÃO ENTRE MEDICAMENTOS E ATIVIDADE FÍSICA

As pessoas com diabetes tipo 2 geralmente tomam diversos medicamentos com finalidades distintas (não só por causa da diabetes, mas também por condições associadas).
A insulina e os secretagogos de insulina podem necessitar de ajustes, por parte do médico, na sua toma, para prevenção de episódios de hipoglicemia.
O uso de Estatinas (medicamentos usados no controlo do colesterol) está associado a um aumento do risco de dores musculares, as quais podem ser agravadas pela prática de atividade física.
Vasodilatadores (medicamentos usados no controlo da hipertensão) podem causar hipotensão, caso a atividade física seja interrompida de forma brusca. Por isso, recomenda-se um período de retorno à calma mais prolongado.
Os diuréticos aumentam a eliminação de urina, o que pode elevar o risco de desidratação, sobretudo durante a prática de exercício em ambientes quentes.

AVALIAÇÃO CLÍNICA PRÉ ATIVIDADE FÍSICA

Em indivíduos com diabetes tipo 2, para a realização de atividade física de intensidade moderada, a avaliação médica inicial não é necessária, uma vez que este tipo de atividade não representa um risco aumentado de agravar possíveis complicações.
Uma avaliação médica detalhada é recomendada para pessoas com diabetes tipo 2 que pretendam realizar exercícios de intensidade vigorosa.
Indivíduos com diabetes tipo 2 com sintomas sugestivos de doença arterial coronariana devem ser sempre devidamente avaliados, independentemente da intensidade da atividade física.

QUESTIONÁRIO FINAL (indique a opção verdadeira)

1. Para garantir a segurança na prática de atividade física planeada e estruturada
a) Pessoas com diabetes tipo 2 que têm nefropatia têm restrições à prática de atividade física.
b) As atividades de baixo impacto são recomendadas para adultos e idosos com diabetes tipo 2 que têm problemas musculoesqueléticos.
c) Pessoa com diabetes tipo 2 com problemas oculares podem realizar saltos durante um programa de atividade física.
d) Pessoas com diabetes tipo 2 com úlceras nos pés podem realizar atividades com o peso do próprio corpo.

2. No início de uma sessão de atividade física:
a) Com valores de glicemia abaixo de 100 mg/dL, o idoso pode iniciar a sessão.
b) Com valores de glicemia entre 100 mg/dL e 300 mg/dL o idoso pode iniciar a sessão.
c) Com valores de glicemia acima de 300 mg/dL, o idoso não deve beber água.
d) Nenhuma das hipóteses está certa.

3. Os sintomas da hipoglicemia são:
a) Fome; palidez; boca seca e dor de cabeça.
b) Sudorese; irritabilidade; boca seca e micção frequente.
c) Boca seca; dor de cabeça; micção frequente e muita sede.
d) Boca seca; micção frequente; muita sede e fraqueza.

4. Os sintomas de hiperglicemia são:
a) Fome; palidez; boca seca e dor de cabeça
b) Sudorese; irritabilidade; boca seca e micção frequente
c) Palidez; fome; cansaço e confusão mental
d) Boca seca; micção frequente; muita sede e fraqueza

5. No que diz respeito à interação dos medicamentos com a prática de atividade física:
a) Os betabloquedores diminuem o risco de episódios de hipoglicemia não percecionados durante a prática de atividade física
b) Os vasodilatadores podem causar hipertensão, caso a atividade física seja interrompida de forma brusca.
c) O uso de estaninas está associado a um menor risco de mialgias.
d) Os diuréricos aumentam o risco de desidratação, especialmente quando a prática de atividade física é realizada em temperaturas elevada.

6. Relativamente à avaliação médica pré atividade física:
a) É necessária uma avaliação médica detalhada para adultos e idosos com diabetes tipo 2 que pretendam realizar exercícios de intensidade vigorosa.
b) Pessoas com sintomas sugestivos de doença arterial coronariana devem ser sempre devidamente avaliados somente para prática de atividade física de intensidade vigorosa.
c) Para a realização de atividade física de intensidade moderada, a avaliação médica pré-exercício parece não ser necessária
d) Hipótese a) e c) corretas

(Prof. Doutor Carlos Eduardo Gonçalves da Costa Vasconcelos
Doutorado em Ciências do Desporto pela UTAD. É docente ESEV – Departamento de Ciências do Desporto e Motricidade , do IPV desde 2007.
Sócio da www.girohc.pt