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OPINANDO: Djokovic, aos 39 Anos, recusa-se a baixar os braços


Eliminado nas meias-finais de Wimbledon por Jannik Sinner, sérvio mantém-se agarrado ao sonho do 25.º Grand Slam e aponta o US Open como próximo objetivo.

Aos 39 anos, Novak Djokovic continua a recusar-se a desistir, e foi exatamente essa recusa que definiu a sua reação após a mais recente eliminação em Wimbledon. Frente ao número um do mundo, Jannik Sinner, o sérvio caiu em sets diretos na meia-final de dia 10 de julho, repetindo o resultado do ano anterior e prolongando um ciclo em que a nova geração do ténis masculino o tem impedido de chegar à final. “Claro que estou desapontado. Claro que queria ganhar Wimbledon. É por isso que continuo a exigir tanto de mim mesmo”, admitiu à imprensa, antes de acrescentar: “Mas perdi simplesmente contra um jogador melhor. Tenho de aceitar isso”.

Essa aceitação, porém, não significa resignação — e é aqui que a frase que resume toda a sua filosofia de carreira ganha sentido: “É bom, mas não é suficientemente bom.” Djokovic explicou que, das três provas do Grand Slam disputadas este ano, alcançou uma final e uma meia-final, um resultado que “para 99% dos jogadores seria excelente”, mas que para ele “não é suficiente, porque estou habituado ao mais alto grau de exigência em termos de resultados”. Esta exigência interna, mais do que qualquer adversário em quadra, tem sido o verdadeiro motor da sua longevidade.

É precisamente essa longevidade que torna a sua trajetória singular. Desde os 35 anos, Djokovic conquistou quatro títulos de Grand Slam — mais do que Roger Federer (três) e Rafael Nadal (dois) alcançaram individualmente na mesma fase das respetivas carreiras, e é preciso recuar até julho de 2018 para encontrar um ranking ATP sem o sérvio no top 10. Não é coincidência: Djokovic sempre atribuiu essa continuidade a um planeamento disciplinado, e não apenas ao talento bruto, uma filosofia que o próprio descreveu como fator decisivo para conseguir atingir o pico de forma repetida ao longo de temporadas inteiras.

Essa disciplina, contudo, tem raízes que antecedem qualquer troféu. Remonta à infância em Belgrado, sob os bombardeamentos da NATO no final da década de 1990, quando por vezes treinava numa piscina pública drenada enquanto as sirenes de alerta aéreo tocavam em redor. Foi esse ambiente de escassez e incerteza que moldou a sua tolerância à adversidade — e que, mais tarde, o transformou num símbolo nacional, com os sérvios a unirem-se em torno dele ao vê-lo chegar ao topo do ténis mundial. O próprio Djokovic reconhece esse fio condutor: “O ténis deu-me tudo na vida e permitiu-me a oportunidade de me tornar quem sou”, afirmou este mês, já em sérvio, no momento em que a conversa com os jornalistas mudou de registo emocional.

Dessa base de resiliência nasceu, com o tempo, uma arquitetura mental treinada com o mesmo rigor de qualquer exercício físico. Djokovic pratica cerca de 15 minutos diários de mindfulness, não para eliminar a dúvida, mas para a reconhecer e redirecionar o foco para o momento presente. Descreveu como este hábito reprogramou os seus instintos em quadra, ao ponto de um serviço falhado ou um erro de backhand já não desencadearem a espiral de autodúvida que antes o desestabilizava a meio da partida. Psicólogos do desporto validam esta leitura, sublinhando que a força mental não é um dom inato, mas uma competência construída através da repetição — tal como um serviço ou um
backhand.

É esse mesmo rigor que se estende à vida fora de campo, onde o autocontrolo de Djokovic beira o lendário: já relatou negar-se a algo tão simples como um quadradinho de chocolate durante anos seguidos, tratando pequenas indulgências como teste da mesma disciplina que aplica ao treino e à recuperação. É este conjunto — origem, mentalidade e disciplina — que explica por que, mesmo aos 39 anos, Djokovic ainda diz sentir-se capaz de “jogar como um top-cinco” quando está saudável.

Sobre o regresso a Wimbledon em 2027, o próprio deixou uma rara nota de incerteza: “Gostaria, pelo menos mais uma vez: vamos ver”. Quanto ao cobiçado 25.º Grand Slam, que o colocaria isolado no topo do recorde absoluto, hoje partilhado com Margaret Court, admitiu estar “cansado de falar sobre quando chegará, porque talvez nunca chegue”. O próximo capítulo escreve-se já no US Open, cujo quadro principal arranca a 30 de agosto — mais uma oportunidade para um homem que, há duas décadas, se recusa a aceitar limites.

Fontes de informação consultadas:

Malhar Mali: https://www.malharmali.com/p/how-novak-djokovic-trains-mental-skills-ss-70

Mentally Tough Tennis: https://www.mentallytoughtennis.com/blog/novak-djokovic-s-secret-mental-toughness-strategy

Olympics: https://www.olympics.com/en/news/wimbledon-2026-valiant-novak-djokovic-semi-final-reaction

Reddit: https://www.reddit.com/r/tennis/comments/1pwwrfg/novak_djokovic_on_the_discipline_required_to_be/

Sports Psychology for Tennis: https://www.sportspsychologytennis.com/djokovic-the-mental-toughness-advantage/

VOA News: https://www.voanews.com/a/tennis-star-novak-djokovic-unites-divided-serbia-128335653/170844.html

Hugo Andrade