OPINANDO: Eu acredito num desporto de todos para todos
Começa uma nova época desportiva.
Os campos voltam a encher-se de vida. Os pavilhões recebem novamente atletas e equipas. As pistas, as estradas e todos os espaços dedicados ao desporto preparam-se para mais uma temporada de desafios, emoções, sonhos e competição.
Mas o início de uma época deve ser também um momento para refletirmos sobre aquilo que queremos para o nosso desporto.
E eu acredito num desporto de todos e para todos.
Um desporto onde se procura vencer, superar limites e alcançar a excelência, mas onde nenhum resultado pode estar acima dos valores que nos definem.
Ética.
Respeito.
Integridade.
Responsabilidade.
Inclusão.
Fair play.
Recentemente, tive o privilégio de participar nas Jornadas Anuais da ACDEA, um importante momento de reflexão e partilha dedicado a um tema que considero fundamental para o presente e para o futuro: a Ética no Desporto.
Aceitei este convite com um profundo sentido de responsabilidade.
Porque falar de ética não pode ser apenas fazer um discurso ou participar num debate. A ética deve estar presente nas nossas decisões, nas nossas atitudes e na forma como vivemos cada momento desportivo.
Deve estar nos campos, nos pavilhões, nos balneários e nas bancadas.
Deve estar, acima de tudo, nas pessoas.
O desporto é uma extraordinária escola de vida.
Ensina-nos a trabalhar em equipa, a respeitar regras, a superar dificuldades e a lidar com a vitória e a derrota.
Mas há uma verdade que não podemos esquecer: as novas gerações aprendem mais com os exemplos que observam do que com as palavras que escutam.
É por isso que a responsabilidade é de todos.
Dos atletas.
Dos treinadores.
Dos dirigentes.
Dos árbitros e juízes.
Dos pais e das famílias.
Dos adeptos.
Porque cada atitude transmite uma mensagem.
O fair play não pode ser apenas um gesto simbólico antes de uma competição.
É uma forma de estar.
É competir com honestidade.
É respeitar as regras e quem as faz cumprir.
É reconhecer o mérito do adversário.
É saber ganhar com humildade e perder com dignidade.
Porque vencer é importante.
Mas não vale tudo para ganhar.
Uma vitória conseguida sem respeito, ética ou integridade pode ficar registada numa classificação, mas dificilmente será uma verdadeira vitória.
O sucesso não está apenas no destino.
Está, sobretudo, na forma como percorremos o caminho.
E essa é uma mensagem particularmente importante para o desporto de formação.
Recentemente, tive também a oportunidade de acompanhar momentos de vários torneios de formação, iniciativas que demonstra bem o enorme valor que o desporto pode ter na vida das crianças e dos jovens.
Mais do que resultados, estes momentos proporcionam experiências.
Criam amizades.
Promovem o convívio.
Ensinam a respeitar.
Ajudam a crescer.
E é precisamente aí que encontramos uma das maiores forças do desporto: na sua capacidade de formar pessoas.
Nos territórios do interior, esta missão ganha uma dimensão ainda mais profunda.
Os clubes, associações e coletividades são muito mais do que estruturas desportivas.
São pontos de encontro.
São espaços de pertença.
São escolas de cidadania.
São lugares onde diferentes gerações se unem em torno de uma paixão comum.
São, muitas vezes, uma das forças que mantém vivas as nossas comunidades.
Por isso, investir no desporto é investir nas pessoas.
E investir nas pessoas é investir no futuro.
Seja no futebol, no futsal, no andebol, no basquetebol, no atletismo, no ciclismo ou em qualquer outra modalidade, coletiva ou individual, devemos assumir o compromisso de construir um desporto mais humano.
Um desporto onde todos possam participar.
Onde as diferenças sejam respeitadas.
Onde a inclusão seja uma realidade.
Onde a competição nunca faça esquecer a dignidade de quem está do outro lado.
Enquanto houver sonhos para perseguir e caminhos para percorrer, continuarei a acreditar na força transformadora do desporto.
Porque o desporto aproxima pessoas.
Une comunidades.
Cria oportunidades.
Constrói memórias.
E pode ajudar a construir uma sociedade melhor.
Mas isso depende das escolhas que fazemos todos os dias.
Depende da forma como educamos.
Da forma como competimos.
Da forma como respeitamos.
Da forma como reagimos quando ganhamos e, sobretudo, quando perdemos.
A ética não pode ser apenas um tema para conferências ou jornadas.
Tem de ser uma prática diária.
Um compromisso assumido por todos aqueles que vivem e fazem viver o desporto.
Porque um resultado pode ser esquecido.
Um troféu pode perder o brilho.
Uma vitória pode ficar no passado.
Mas os valores que transmitimos permanecem.
Permanecem nas crianças que nos observam.
Nos jovens que amanhã ocuparão o nosso lugar.
Nas comunidades que ajudamos a construir.
É por isso que acredito num desporto que não deixa ninguém para trás.
Num desporto que forma atletas, mas que nunca se esquece de formar pessoas.
Num desporto onde competir é importante, mas respeitar é essencial.
EU ACREDITO NUM DESPORTO DE TODOS PARA TODOS.
Um desporto vivido com paixão, mas também com responsabilidade.
Com ambição, mas nunca a qualquer preço.
Com competição, mas sempre com respeito.
Porque, no final de cada jogo, de cada prova e de cada competição, o mais importante não será apenas aquilo que conquistámos.
Será aquilo que fomos capazes de construir.
Que comece o jogo. Que nunca faltem os sonhos. Que nunca falte a estrada.
E O DESPORTO QUE VERDADEIRAMENTE NOS UNE SÓ PODE SER CONSTRUÍDO POR TODOS. PARA TODOS. JUNTOS.
Paulo Menano

