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Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: Formar Atletas, Construir Cidadãos, Desenvolver Territórios


O desporto de formação não é apenas uma despesa, mas um investimento com retorno social, económico e turístico.

Formar jovens atletas: Investir hoje para garantir o futuro dos nossos territórios.

Vivemos numa época em que a palavra sustentabilidade faz parte do nosso quotidiano. Habitualmente associamo-la ao ambiente, à economia ou à gestão responsável dos recursos naturais.
No entanto, existe uma dimensão igualmente essencial, embora muitas vezes esquecida: a sustentabilidade humana e social. É precisamente aqui que o desporto assume um papel determinante.

Falar de sustentabilidade no desporto é muito mais do que abordar preocupações ambientais. É falar da capacidade de construir um modelo de formação sólido, equilibrado e duradouro, capaz de preparar jovens atletas não apenas para competir, mas sobretudo para serem cidadãos responsáveis, ativos e comprometidos com a sociedade.

Quando um clube abre as suas portas a uma criança, não está apenas a ensinar-lhe futebol, futsal, basquetebol, andebol ou qualquer outra modalidade. Está a educar, a inspirar e a criar oportunidades. Está a transmitir valores como o respeito, a disciplina, a responsabilidade, o espírito de equipa, o fair play, a solidariedade e a resiliência. Valores que permanecerão muito para além da carreira desportiva e acompanharão cada jovem ao longo da vida.

É por isso que a formação de jovens atletas deve ser encarada como um investimento estratégico e nunca como um custo. Cada euro aplicado na formação representa um investimento na educação, na saúde, na inclusão social e no desenvolvimento das nossas comunidades.

Os resultados não podem medir-se apenas pelos títulos conquistados ou pelos atletas que chegam ao alto rendimento, mas também pelo número de jovens que crescem como pessoas, permanecem ligados ao desporto e transportam para a sociedade tudo aquilo que aprenderam dentro do clube.
Esta realidade assume uma importância ainda maior nos territórios de baixa densidade.

Nestes concelhos, os clubes são muito mais do que instituições desportivas. São espaços de educação, de inclusão, de convivência e de esperança. São locais onde se constroem amizades, se fortalecem laços comunitários e se alimenta o sentimento de pertença.

Em muitas aldeias e pequenas cidades, são eles que ajudam a fixar os jovens, promovem estilos de vida saudáveis e contribuem decisivamente para a dinamização social e económica das comunidades.

Contudo, garantir a sustentabilidade da formação exige muito mais do que dedicação e boa vontade. Exige dirigentes preparados, treinadores qualificados, infraestruturas adequadas, estabilidade financeira e o compromisso das autarquias, associações, federações, empresas e da própria sociedade. Exige também o reconhecimento do trabalho extraordinário desenvolvido por centenas de voluntários que, diariamente, dedicam o seu tempo, conhecimento e paixão ao crescimento das novas gerações.

Ao mesmo tempo, importa combater a cultura do resultado imediato. No desporto de formação, vencer um campeonato é importante, mas nunca pode ser o objetivo principal. A verdadeira vitória acontece quando um jovem termina o seu percurso mais responsável, mais disciplinado, mais solidário, mais resiliente e melhor preparado para enfrentar os desafios da vida.

A sustentabilidade passa igualmente por respeitar os ritmos de crescimento de cada atleta, evitar a especialização precoce e garantir que o desporto continua a ser uma experiência positiva, saudável e enriquecedora.

O futuro do desporto português não depende apenas dos grandes clubes nem dos atletas de elite. Depende, acima de tudo, da força dos clubes locais, da qualidade dos seus projetos de formação e da capacidade de preservar a base da pirâmide desportiva. É aí que nascem os campeões, mas, acima de tudo, é aí que se formam cidadãos.

Se queremos territórios mais fortes, mais atrativos e com melhores oportunidades para as novas gerações, temos de continuar a investir seriamente na formação desportiva. Não apenas para conquistar medalhas e troféus, mas para construir comunidades mais coesas, saudáveis e sustentáveis.

Porque os títulos ficam registados na história e os troféus permanecem nas vitrinas. Os valores aprendidos através do desporto acompanham cada atleta para toda a vida. E essa será sempre a maior vitória que qualquer clube, dirigente ou treinador poderá alcançar.

A sustentabilidade do desporto de formação passa também pelo envolvimento do tecido empresarial. As empresas não devem olhar para o apoio aos clubes apenas como um patrocínio, mas como um verdadeiro investimento social. Ao contribuírem para a formação de crianças e jovens, estão a investir na saúde, na educação, na criação de valores e na qualidade de vida das comunidades onde desenvolvem a sua atividade. Este compromisso fortalece a responsabilidade social das empresas e cria uma relação de proximidade com os territórios, gerando benefícios para todos.
Importa igualmente reconhecer o papel estratégico do binómio desporto-turismo como motor de desenvolvimento regional.

A organização de torneios, estágios, provas e eventos desportivos atrai milhares de atletas, dirigentes, famílias e visitantes, dinamizando a hotelaria, a restauração, o comércio local e diversos serviços. Nos territórios de baixa densidade, esta ligação representa uma oportunidade única para promover o património natural, cultural e gastronómico, reforçando a economia local e projetando uma imagem positiva da região.

Quando clubes, autarquias, associações, federações, empresas e agentes turísticos trabalham em conjunto, cria-se um verdadeiro ecossistema de desenvolvimento sustentável. O desporto deixa de ser apenas uma atividade competitiva para assumir um papel central na valorização das pessoas, na coesão social e no crescimento económico dos territórios.

Paulo Menano