OPINANDO: Há livros sobre futebol e depois há livros que fazem justiça ao futebol
“Futebol – O Melhor do Século XX”, de João Fernandes, pertence a essa categoria rara: a das obras que não se limitam a revisitar resultados, troféus ou estatísticas, mas que recuperam a grandeza de um tempo em que o futebol era identidade, memória, paixão e pertença.
Este não é um livro apressado. Não é um exercício de ocasião. Não é uma compilação fria para consumo rápido.
É uma obra com densidade, visão e paixão verdadeira.
João Fernandes fez aquilo que poucos conseguem fazer bem: olhar para o século XX futebolístico com profundidade, cultura, respeito e emoção, reunindo nomes, clubes, seleções, contextos e episódios que moldaram a história do jogo e a memória de várias gerações.
Aqui não se fala apenas de futebol. Aqui respira-se futebol.
Respira-se o futebol dos gigantes. Dos génios. Dos ídolos. Das equipas imortais. Dos estádios cheios. Das tardes de domingo. Da rádio ligada. Dos cromos no bolso. Das rivalidades eternas. Da emoção que passava de pais para filhos e fazia de um clube quase uma extensão da família.
Neste livro há Puskás, Peyroteo, Eusébio, Pelé, Zico, Maradona, Cruijff, Beckenbauer e tantas outras figuras maiores. Há clubes portugueses históricos, equipas europeias que definiram épocas, emblemas sul-americanos que encantaram o mundo e páginas que devolvem ao leitor aquilo que o futebol moderno tantas vezes perdeu: alma, contexto, beleza e memória.
E é precisamente aí que esta obra se distingue.
Porque não vive apenas dos nomes grandes. Vive da forma como os enquadra. Da inteligência com que organiza a memória. Da sensibilidade com que trata o passado. Da capacidade rara de transformar um século extraordinário numa viagem vibrante para quem o viveu e numa descoberta indispensável para quem chegou depois.
Este é um livro para abrir com prazer e fechar com respeito. Um livro para regressar. Para discutir. Para citar. Para oferecer. Para guardar.
Porque o futebol do século XX não foi apenas desporto. Foi emoção coletiva, cultura popular, bairro, família, conversa, identidade, mito e história viva.
João Fernandes teve o mérito — e também a coragem — de tratar o futebol como ele merece ser tratado: não como entretenimento descartável, mas como património emocional e cultural.
E isso, hoje, vale ainda mais.
Por isso importa dizê-lo com clareza: “Futebol – O Melhor do Século XX” é um livro de grande valor. Um livro com substância. Com memória. Com pulso. Com verdade.
Um livro que honra o passado sem cair na nostalgia fácil. Um livro que celebra o futebol sem o banalizar. Um livro que lembra ao leitor que houve um tempo em que o jogo era mais do que um espetáculo: era uma linguagem universal de paixão e pertença.
Para quem gosta de futebol, é leitura obrigatória. Para quem gosta de história, é um prazer inesperado. Para quem gosta de livros com conteúdo, é uma escolha seguríssima.
João Fernandes não escreveu apenas sobre futebol. Escreveu sobre o lugar que o futebol ocupa na memória sentimental de milhões de pessoas. E isso não é pequeno. Isso é imenso.
Num tempo de superficialidade, este livro escolhe a profundidade. Num tempo de ruído, este livro devolve memória. Num tempo de consumo rápido, este livro afirma valor.
E por isso não merece apenas atenção. Merece destaque. Merece reconhecimento. Merece ser lido.
Fernando Mendes
