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OPINANDO: Haaland e companhia fazem história e levam a Noruega aos quartos-de-final pela primeira vez


Bis do avançado do Manchester City afasta o Brasil de Neymar em East Rutherford; nórdicos defrontam a Inglaterra no sábado, em Miami, com uma vaga nas meias-finais em jogo.

A Noruega vive o melhor momento da sua história no futebol masculino. Depois de quase três décadas fora de um Mundial, a seleção nórdica eliminou o pentacampeão Brasil e chegou, pela primeira vez, aos quartos-de-final da competição, um feito que a BBC descreveu como um capítulo inédito no historial do país escandinavo.

Tudo aconteceu no MetLife Stadium, em East Rutherford, perante mais de 80 mil espectadores, num jogo que parecia caminhar para mais uma deceção norueguesa. Os sul americanos desperdiçaram a oportunidade de se adiantarem no marcador logo na primeira parte, quando Bruno Guimarães viu o seu remate de grande penalidade defendido pelo guarda-redes Ørjan Nyland, um dos protagonistas silenciosos da vitória nórdica. Foi só aos 79 minutos que o cerco se rompeu: Erling Haaland, avançado do Manchester City, cabeceou para golo na sequência de um cruzamento de Andreas Schjelderup, batendo o central Gabriel na disputa aérea. Onze minutos depois, o mesmo Haaland fechou a contagem com um remate colocado de fora da área, conferindo uma vantagem de dois golos aos noruegueses. Nos descontos, Neymar reduziu de grande penalidade naquela que anunciou ser a sua última partida pela seleção brasileira — mas o golo tardio não evitou a eliminação. Para o Brasil, tratou-se da pior campanha desde 1990, ano em que também caiu antes dos quartos-de-final.

Esta vitória coloca a Noruega perante a Inglaterra, que assegurou o apuramento ao vencer o anfitrião México por 3-2, no Estádio Azteca. O confronto entre as duas seleções está agendado para sábado, dia 11 de julho, às 22h00 (hora de Lisboa), no Hard Rock Stadium, em Miami. E é precisamente aí que a narrativa de Haaland ganha outro contorno: com o bis ao Brasil, o avançado chegou aos sete golos no torneio, isolando-se no topo da lista de melhores marcadores ao lado de Kylian Mbappé e Lionel Messi, e ficando um golo à frente de Harry Kane, capitão inglês e seu principal rival direto no próximo jogo.

Este desempenho, contudo, não pode ser dissociado de um fator menos visível mas igualmente decisivo: a confiança coletiva da equipa. Especialistas em psicologia do desporto apontam que os grandes resultados nascem, antes de mais, da crença dos atletas em si próprios e no plano de jogo da equipa — um fator particularmente determinante em momentos de pressão extrema, sobretudo perante adversários com historial superior.

Essa mentalidade, porém, não surge isoladamente — resulta de um processo sustentado de preparação, em que a disciplina e a responsabilidade caminham a par da autoconfiança dos jogadores. Não é coincidência que, antes da vitória sobre o Brasil, a seleção norueguesa já chegasse ao torneio invicta nos oito jogos do apuramento europeu, com uma média de golos superior a 4,5 por partida, um indicador de que o bom momento resultava de trabalho consistente, e não de um desempenho pontual.

E por detrás dos nomes de Haaland e do capitão Martin Ødegaard existe, precisamente, um sistema de formação que privilegia a base como estratégia nacional de longo prazo. A federação norueguesa desenvolveu, ao longo dos anos, um modelo de academias vocacionado para a ampla participação de jovens, evitando a especialização precoce e permitindo que cada atleta amadureça ao seu próprio ritmo. Este investimento também atraiu projetos internacionais para o país: os acampamentos ligados à La Masia, a tradicional academia do FC Barcelona, oferecem hoje programas na Noruega que aliam ensino técnico e formação de valores para crianças a partir dos sete anos.

O resultado deste trabalho de base, construído longe dos holofotes, está agora visível à escala mundial: uma seleção de população pequena a competir de igual para igual com as potências tradicionais do futebol. No sábado, em Miami, Noruega e Inglaterra decidem quem avança à meia-final, com o vencedor a defrontar um dos qualificados entre Suíça, Colômbia, Egito ou Argentina. Para os noruegueses, chegar aos quartos-de-final já representa uma conquista histórica; para os ingleses, é mais um passo na procura de um título que não conquistam há 60 anos.

Independentemente do resultado no confronto direto, o percurso norueguês neste Mundial deixa uma mensagem objetiva para o futebol internacional: crença coletiva, trabalho consistente e investimento paciente na formação de base são fatores que, combinados, podem elevar uma seleção modesta ao estatuto de protagonista no maior palco do desporto.

Fontes de informação consultadas:

Barça Academy: https://campsnorway.barcaacademy.com/en/registration-lyn/

BBC: http://bbc.com/sport/football/live/c3wyl9qe4xgt

England Football: https://www.englandfootball.com/articles/2026/Jul/06/england-fixture-details-knockout-stage-20260706

ESPN: https://www.espn.com/soccer/report/_/gameId/760504

Global Performance Insights: https://www.globalperformanceinsights.com/post/why-we-should-believe-in-belief-effects-in-sports-performance

Olympics: https://www.olympics.com/en/news/fifa-world-cup-2026-watch-norway-england-quarter-finals-head-to-head-full-schedule

UEFA: https://www.uefa.com/european-qualifiers/news/02a6-20d1592b3f90-2ef16e2c5255-1000–norway-at-the-world-cup-2026-squad-fixtures-group-and-hi/

Hugo Andrade