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Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: Integrar o Desporto na Vida, ou dedicar a vida ao Desporto como praticante ou como dirigente?


Esta pergunta tem ecoado na minha mente há algum tempo e talvez não exista uma resposta única apenas caminhos diferentes, moldados pelas nossas escolhas, valores e circunstâncias.

Dedicar a vida ao desporto é mergulhar de cabeça num universo exigente, apaixonante e por vezes implacável, é viver cada treino, cada jogo, cada derrota e cada vitória como se fossem capítulos de uma história maior, é aceitar que o tempo pessoal, os fins de semana, e até os momentos com a família podem ser sacrificados em nome de um sonho.

Por outro lado, integrar o desporto na vida é reconhecer que ele pode ser mais do que uma profissão pode ser uma fonte de equilíbrio, motivação e identidade, é permitir que o futebol conviva com outras paixões, com a família, com o crescimento pessoal e profissional, é saber que o amor pelo jogo não precisa de consumir tudo para ser verdadeiro.

Talvez o segredo esteja no equilíbrio ou na capacidade de viver o desporto com intensidade, sem perder de vista quem somos fora das quatro linhas, porque no fim, o que nos define não é apenas o que fazemos, mas como o fazemos e com quem caminhamos ao nosso lado.
A dedicação ao desporto, enquanto praticante e dirigente, representa uma trajetória de vida marcada por compromisso, disciplina e contributo social. Trata-se de um percurso que alia o desenvolvimento individual à responsabilidade coletiva, constituindo uma via de realização pessoal e, simultaneamente, de serviço à comunidade.
Na condição de praticante, o desporto assume-se como um espaço de formação integral. A prática regular de atividades desportivas exige empenho, resiliência e perseverança, promovendo não apenas a melhoria da condição física, mas também o fortalecimento de competências mentais e sociais. Valores como respeito, espírito de equipa, superação e ética desportiva tornam-se estruturantes, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e participativos.
Já no papel de dirigente, o desporto revela uma dimensão distinta, de natureza organizativa e estratégica. O dirigente assume a responsabilidade de planear, gerir e promover condições para o desenvolvimento da prática desportiva em diferentes contextos. O seu papel ultrapassa a busca de resultados imediatos, privilegiando a criação de oportunidades, a promoção da inclusão social e a valorização do desporto enquanto instrumento educativo e cultural. A liderança responsável e ética torna-se fundamental para assegurar que as instituições desportivas cumpram a sua missão de forma sustentável e orientada para o bem comum.
O que é um dirigente desportivo ?
Um dirigente desportivo é muito mais do que a pessoa que organiza, lidera ou representa um clube, uma equipa ou uma associação. É alguém que trabalha todos os dias para garantir que o desporto acontece — com estrutura, responsabilidade e visão.
O dirigente é responsável por planear, gerir recursos, apoiar atletas e equipas técnicas, promover boas práticas, assegurar o cumprimento das normas e criar condições para que todos possam evoluir.
É uma função exigente, muitas vezes pouco visível, mas absolutamente essencial para o crescimento do futebol e do futsal nos nossos territórios.
A conjugação destas duas dimensões — praticante e dirigente — traduz-se numa complementaridade significativa. A experiência adquirida na prática desportiva confere ao dirigente maior sensibilidade para compreender as necessidades dos atletas e adotar medidas ajustadas à realidade. Por sua vez, o exercício da liderança possibilita ao ex-praticante prolongar o seu contributo para o desporto, assegurando a continuidade e a valorização das aprendizagens adquiridas ao longo da sua trajetória.
Deste modo, dedicar a vida ao desporto constitui não apenas uma escolha profissional ou vocacional, mas também um compromisso ético e social. Representa a construção de um legado que transcende a esfera individual, projetando-se na formação de novas gerações e no fortalecimento do papel do desporto na sociedade contemporânea.
Integrar o desporto na vida ou dedicar a vida ao desporto são duas formas diferentes de viver a mesma paixão. Integrar o desporto significa colocá-lo como uma parte importante do dia a dia, sem que ele se torne o centro absoluto da vida. Nesta abordagem, o desporto convivente com outras dimensões essenciais — trabalho, família, amizades, desenvolvimento pessoal — e costuma trazer equilíbrio, bem-estar e saúde, sem exigir grandes sacrifícios. É a escolha ideal para quem vê o desporto como fonte de prazer, disciplina e qualidade de vida, mas não como o único propósito.
Dedicar a vida ao desporto, seja como praticante, treinador ou dirigente, é um caminho mais intenso e exigente. Aqui o desporto deixa de ser apenas uma atividade e torna-se a prioridade central. Essa opção permite alcançar excelência, impacto e realização profunda, mas também exige compromisso total, esforço contínuo e, muitas vezes, renúncias. É adequada para quem sente que o desporto é vocação, missão ou identidade — algo que dá sentido à vida e merece dedicação plena.
No fundo, a diferença entre as duas escolhas está no lugar que o desporto ocupa: parte da vida ou o centro dela. A resposta certa depende de quem és, do que procuras e de como imaginas o teu futuro.
Não posso, porque não devo, deixar de referir , a adversidade,porque também faz parte do jogo. Faz parte do jogo quer como na vida de praticante como na vida de dirigente.
Seres derrubado e escolheres levantar-te vezes sem conta, mostrará que tipo de mentalidade tu tens. Novamente, em todos os desportos, terás que trabalhar com mais inteligência a cada dia para superares o teu oponente quando a hora chegar.
O adversário és tu mesmo; compara-te sempre contigo mesmo e com mais nenhuma outra pessoa. Tu és o teu maior medo, desafio, adversário e sucesso ao mesmo tempo. Mas ninguém teve a mesma formação e a tua história e, portanto, é impossível compararmos-te aos outros porque somos todos diferentes. No desporto, como na vida, a adversidade está entre nós o tempo todo, e desde cedo aprendemos o que é adversidade graças ao desporto.
A maneira como escolheste direcionar a tua atitude positiva e como tu perseveras é a chave. Haverá momentos em que não terás a certeza porque algo não está a funcionar e terás que vencer essa barreira que pode parecer impossível. Ao superar-se este obstáculo, vais sentir que tudo valeu a pena.

Paulo Menano