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Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: O DESPORTO QUE UNE PESSOAS E DÁ FUTURO AOS TERRITÓRIOS


“O desporto devia servir para a promoção do bem-estar da sociedade, do bem-estar físico e mental, como a possibilidade de união entre os povos, de não ter medo da diferença, de abraçarmos o outro que pensa diferente de nós”.

Esta visão lembra-nos aquilo que o desporto verdadeiramente deve ser: uma poderosa ferramenta de transformação social.

O futuro do desporto não pode ficar limitado aos resultados, às classificações ou aos títulos conquistados. O seu verdadeiro legado mede-se pela capacidade de unir pessoas, criar oportunidades e fortalecer comunidades.

O desporto deve ser um espaço de inclusão, onde todos têm lugar independentemente da idade, gênero, condição social ou origem. Um lugar onde se aprende a respeitar a diferença, a trabalhar em equipa, a valorizar o esforço e a reconhecer o mérito do outro.

Mas esta visão só será possível se for sustentada por princípios inegociáveis: a ética, o respeito, os valores e o fair play.
Num tempo em que, tantas vezes, a pressão pelo resultado parece sobrepor-se a tudo o resto, é fundamental recordar que o desporto é, antes de mais, uma escola de vida.

É nele que se aprende a ganhar com humildade e a perder com dignidade; a respeitar adversários, árbitros, dirigentes, treinadores e adeptos; a compreender que o sucesso nunca pode justificar a ausência de caráter.

O fair play não é apenas um gesto simbólico antes do início de um jogo. É uma atitude permanente. É competir com honestidade, cumprir regras, rejeitar a intolerância e reconhecer no adversário alguém que nos ajuda a ser melhores.

A ética desportiva ensina-nos que o respeito não é uma opção: é a base sobre a qual se constroi a credibilidade das instituições e a formação das novas gerações.

Nos territórios do interior, esta missão assume uma importância ainda maior. Os clubes, as associações e as coletividades são muito mais do que estruturas desportivas: são pontos de encontro, escolas de cidadania e âncoras de identidade local.
São espaços onde se criam amizades, se desenvolvem competências e se reforça o sentimento de pertença a uma terra.

Investir no desporto é, por isso, investir no futuro das regiões. É criar motivos para que os jovens permaneçam ou regressem às suas comunidades.
É gerar dinamismo económico, atrair eventos, promover hábitos de vida saudáveis e projetar positivamente os territórios.

O desporto pode e deve ser um aliado no combate ao despovoamento, ajudando a fixar pessoas, a criar redes de proximidade e a devolver esperança a muitas localidades que se recusam a perder a sua vitalidade.

Precisamos de um desporto para todos e construído por todos. Um desporto que derrube barreiras em vez de levantar muros. Que promova a saúde física e mental, a igualdade de oportunidades e a participação ativa na vida comunitária.

Um desporto que eduque para os valores, para a ética e para a responsabilidade social.

Porque quando uma criança encontra no clube da sua terra um lugar para crescer, quando uma comunidade se une em torno de um evento desportivo, quando diferentes gerações partilham a mesma bancada e o mesmo orgulho pela sua região, o desporto cumpre a sua missão mais nobre: aproximar pessoas, fortalecer territórios e construir uma sociedade mais humana, mais coesa e mais solidária.

O futuro do desporto será tanto mais forte quanto maior for a sua capacidade de formar cidadãos antes de formar campeões. Precisamos de atletas competentes, mas sobretudo de pessoas íntegras; de dirigentes responsáveis, mas também de líderes inspiradores; de adeptos apaixonados, mas sempre respeitadores.

Porque ganhar é importante, mas há vitórias muito maiores: preservar a ética, viver os valores, praticar o fair play, unir comunidades, valorizar os territórios e garantir que ninguém fique para trás.

Afinal, o desporto, na sua essência, é isto: um bem comum ao serviço das pessoas e um motor capaz de ajudar a escrever um futuro melhor para todos.

Paulo Menano