OPINANDO: O futebol de formação não é apenas um jogo, é uma escola para a vida
O futebol de formação não é apenas um jogo. É muito mais do que resultados, classificações ou a ambição de formar futuros atletas de alto rendimento. É, acima de tudo, uma verdadeira escola para a vida.
Nos campos onde crianças e jovens treinam e competem aprendem-se lições que vão muito além das quatro linhas. Aprende-se o valor do fair-play, a importância da ética, a força da integridade e o significado do respeito — pelo adversário, pelos colegas, pelos treinadores, pelos árbitros e pelo próprio jogo. Aprende-se também a ganhar com humildade e a perder com dignidade.
Valorizar a formação significa compreender que o mais importante não é ganhar hoje, mas formar melhor para o amanhã.
O futebol de formação ajuda a construir carácter. Ensina disciplina, responsabilidade, espírito de equipa, capacidade de superação e compromisso com objetivos comuns. Cada treino e cada jogo representam momentos de crescimento que ajudam os jovens a desenvolver competências importantes para o seu futuro, dentro e fora do desporto.
Mas há um aspeto que nunca deve ser esquecido: as crianças precisam de brincar a jogar. O futebol, nestas idades, deve ser vivido com alegria, criatividade e liberdade. Jogar deve ser antes de tudo um momento de prazer, de descoberta e de diversão. Quando deixamos as crianças experimentar, errar, tentar novamente e simplesmente jogar, estamos a ajudá-las a crescer de forma mais saudável e natural.
Quando o grito do pai na bancada se sobrepõe à instrução do treinador, ou quando a pressão pela vitória asfixia o prazer de jogar, estamos a falhar enquanto educadores. O futebol de formação não deve ser um simulacro do profissionalismo adulto, mas sim um espaço de liberdade, erro e aprendizagem.
Um clube de formação não deve ser medido pelo número de troféus na vitrina, mas sim pela qualidade dos homens e mulheres que devolve à sociedade. Se um jovem sai de uma época desportiva sendo um melhor colega, um aluno mais focado e uma pessoa mais respeitosa, o campeonato já foi ganho, independentemente da classificação.
Neste processo, o papel dos treinadores, dirigentes e pais é fundamental. Cabe-lhes criar um ambiente positivo, onde os valores sejam vividos diariamente e onde a pressão pelos resultados nunca se sobreponha ao bem-estar e ao desenvolvimento das crianças.
É urgente mudarmos o paradigma. Precisamos de treinadores que sejam, acima de tudo, formadores de cariz humanista. Precisamos de pais que sejam adeptos do crescimento e não apenas do resultado.
Por isso, é essencial que treinadores, dirigentes e pais compreendam a verdadeira importância da formação.
E precisamos de uma estrutura desportiva que proteja o lúdico.
Porque, no fundo, o verdadeiro sucesso do futebol de formação não está apenas em formar grandes jogadores ou talentos, mas sobretudo em formar boas pessoas, com valores, respeito pelos outros e capacidade de enfrentar a vida com caráter e responsabilidade, preparadas para a vida, dentro e fora do desporto.
O Futebol é muito mais que um jogo, que um golo, que uma vitória, empate ou derrota.
Futebol é tudo o resto: encontro, convívio, amizade, desafio, vontade, querer, paixão, respeito e vida.
Este é o verdadeiro espírito do desporto de formação.
Assim, estaremos no caminho certo, na formação de homens e mulheres do amanhã.
Todos, podemos e devemos partilhar a alegria das crianças na prática desportiva.
Porque o verdadeiro sucesso do futebol de formação mede-se também pelos princípios que transmite e pelas pessoas que ajuda a formar. E é por isso que, no centro de todo este processo, devem estar sempre presentes os pilares que dão verdadeiro sentido ao desporto: ÉTICA, FAIR-PLAY, VALORES, INTEGRIDADE e RESPEITO.
Paulo Menano
