OPINANDO: O meu filho vai para um “grande”
“Está no radar do Porto, Benfica e Sporting.”
O recrutamento no futebol mudou muito. Há vinte ou trinta anos, chegar a um clube grande era raro e quase sempre reservado aos miúdos que realmente se destacavam. Hoje, os clubes têm departamentos de prospeção, observadores espalhados por todo o país e acompanham crianças cada vez mais novas.
Basta um miúdo demonstrar alguma qualidade para ser referenciado, convidado para um treino ou para uma observação. E isso, por si só, já é uma experiência fantástica. Vestir a camisola de um grande clube, conhecer outras realidades, treinar noutro ambiente, sentir aquele palco… tudo isso deve ser vivido com alegria.
Muitos pais regressam desses treinos mais entusiasmados do que os próprios filhos. As fotografias, os equipamentos oficiais, os comentários de “tem muito potencial” alimentam sonhos que precisam de ser bem enquadrados.
É importante explicar às crianças que foram apenas jogar futebol. Que existem centenas de miúdos observados todos os anos. Que um relatório positivo não significa uma entrada garantida num grande clube. E que ser chamado para treinar não faz deles futuros profissionais.
Sem destruir sonhos, é preciso educá-los.
Porque a verdade é esta: muito poucos chegam ao topo. E os que não chegam precisam continuar a ser felizes no futebol. Precisam continuar a estudar, a crescer como pessoas, a aprender valores, disciplina, respeito e trabalho.
Sonhem, meninos. Trabalhem. Lutem. Acreditem. Mas, acima de tudo, divirtam-se. Porque um dia vão perceber que os melhores anos do futebol raramente são os do estrelato. São estes. Os da pureza, da amizade e da alegria simples de jogar à bola.
Vítor Santos
Embaixador do PNED
