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Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: Os Empresários estão para os Partidos de Esquerda como os Ciganos estão para o Chega


Há discursos políticos que revelam um profundo desconhecimento da realidade das empresas portuguesas. E, sinceramente, ouvir certas comparações simplistas entre “patrões” e “trabalhadores” começa a cansar.

Portugal não é um país de grandes patrões milionários. Portugal é, sobretudo, um país de pequenas e médias empresas, muitas delas familiares, muitas delas construídas com esforço, risco, noites mal dormidas e enorme sacrifício pessoal.

Em muitas dessas empresas, o empresário trabalha mais horas do que todos, assume todos os riscos, carrega a pressão financeira às costas e, não raras vezes, chega ao fim do mês sem conseguir pagar primeiro a si próprio, porque antes estão os salários, os fornecedores, os impostos e as responsabilidades assumidas.

Empreender em Portugal não é um privilégio. É, muitas vezes, um verdadeiro caminho das pedras.

É viver meses de incerteza. É arriscar património, estabilidade e saúde emocional. É não dormir porque há contas para pagar. É enfrentar burocracia, carga fiscal, falta de previsibilidade e, ainda assim, continuar a acreditar que vale a pena criar valor, emprego e futuro.

Mas continua a existir, em alguma esquerda, uma narrativa velha, ultrapassada e perigosa: a ideia de que o empresário é, por definição, um explorador. Como se quem cria emprego fosse inimigo de quem trabalha. Como se empresa e trabalhador estivessem condenados a estar em lados opostos da barricada.

Nada mais errado.

Claro que existem maus empresários. Como existem maus trabalhadores. Como existem maus políticos. O problema começa quando se transforma uma classe inteira num alvo permanente de ataque político.

E é aqui que digo, de forma frontal: os empresários estão para alguns partidos de esquerda como os ciganos estão para o Chega. Servem demasiadas vezes como bode expiatório. Como caricatura fácil. Como inimigo útil para alimentar uma narrativa política.

Essa forma de fazer política é pobre. E é perigosa.

Porque enquanto se entretêm a atacar “os patrões”, esquecem-se de que a esmagadora maioria dos empresários portugueses não vive em palácios nem foge à realidade. Vive dentro dela. Todos os dias. Com contas, responsabilidades, trabalhadores, famílias e compromissos.

Há também uma ironia difícil de ignorar: muitos dos que fazem estes discursos vivem exclusivamente do Estado, pagos pelos impostos de todos — incluindo os impostos pagos pelas empresas e por quem trabalha no setor privado. Enquanto isso, milhares de empresários continuam diariamente a tentar manter portas abertas, salários pagos e atividade económica viva.

Eu acredito profundamente nas pessoas. Acredito na valorização dos trabalhadores, nos salários dignos, nas boas condições de trabalho e na responsabilidade social das empresas. Mas também acredito que não existem empresas fortes sem equipas fortes, nem trabalhadores valorizados sem empresas sustentáveis.

Sem empresas, não há salários.
Sem investimento, não há crescimento.
Sem produtividade, não há melhores rendimentos.
Sem competitividade, não há futuro.

Portugal precisa de menos luta de classes e mais cooperação. Menos preconceito ideológico e mais conhecimento da realidade. Menos divisão entre “patrões” e “trabalhadores” e mais capacidade de construir pontes.

O mundo mudou. A economia mudou. O trabalho mudou. O problema é que alguns discursos políticos continuam presos a um tempo que já não existe.

Se queremos um país mais justo, mais competitivo, mais produtivo e com melhores oportunidades para todos, temos de deixar de tratar os empresários como inimigos e começar a vê-los como parte essencial da solução.

Porque, no fim do dia, só juntos conseguimos construir um Portugal mais forte.

Nuno Silva