OPINANDO: Os “replays” do Doutor Rui Silva
O seu nome voltou a surgir nas conversas do futebol, em especial na boca e na pena dos velhos do Restelo. A sentença foi rápida: o homem que trocou o apito pelo pixel navegou, por um instante, em águas traiçoeiras. É divertido vêlos conspirar: um acusa, outro acrescenta pormenores, e no fim todos concordam que este agente de arbitragem “avarento” deveria ser submetido ao Tribunal do Santo Ofício.
Conhecio na sua terra natal há cerca de dois anos. Trocámos duas palavras e percebi que a sua vida, a real, não cabe num “frame” congelado. É pai, é académico, tem prêmios e artigos reconhecidos internacionalmente; tem uma filha da idade da minha Maria Rita e um currículo que não se constrói com manchetes. É doutorado pela UBI e hoje leciona e investiga na UTAD.
Essas credenciais não o tornam intocável, nem anulam o erro, mas mostram que há mais para além do(s) momento(s) que a imprensa escolheu destacar.
De facto, o homem por trás do ecrã tem uma vida que não se resume a um “replay”. E sim, tal como alguns jornalistas recordaram, o Doutor Rui Silva foi suspenso no âmbito do processo do Apito Dourado… foi pena que esta referência tenha sido apresentada, em alguns textos, de forma incompleta e imprecisa. Recordaram-nos que esteve suspenso durante 20 meses, mas esquecerem-se de mencionar o porquê. Simples: não mencionou no relatório que recusou a oferta de fios de ouro… sim, leu bem, foi condenado por não ter mencionado que é um ser humano, falível… mas sério!
Sérgio Mendes
