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Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: Portugal, porta de entrada ou país de destino?


Durante anos disseram-nos que a imigração resolveria os problemas da Segurança Social. Hoje, começa a perceber-se que essa visão era demasiado simplista. Agora surge outra realidade que merece reflexão, a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde e a utilização de Portugal como simples ponto de passagem para a Europa.

Quando um país facilita a entrada, sem o minímo controlo, sem uma estratégia séria de integração, corre o risco de suportar custos imediatos na saúde, na ação social e na administração pública, enquanto muitos dos que entram acabam por seguir para países com salários mais elevados e melhores condições de vida, depois de obterem documentação que lhes permite circular no espaço europeu.

Esta realidade tem também outra consequência. Quem encara Portugal apenas como uma etapa de passagem tende a investir menos na aprendizagem da língua, na integração na comunidade, no conhecimento das leis, dos costumes e dos valores do país que o acolhe. Sem uma perspetiva de permanência, diminui naturalmente o compromisso com a integração e aumenta a distância entre quem chega e a sociedade que os recebe.

Ao mesmo tempo, cresce entre muitos portugueses a sensação de desorganização e perda de identidade em alguns locais. Basta percorrer zonas que durante décadas foram símbolos de Lisboa para perceber que a transformação foi muito rápida e, em muitos casos, sem o devido planeamento. Não é a diversidade que está em causa, mas sim a ausência de uma política de integração eficaz e de regras que permitam preservar a segurança, a ordem pública, a identidade dos bairros e a qualidade de vida de quem lá vive.

Portugal não pode continuar a ser a fronteira mais frágil da Europa. Um país de baixos salários e com dificuldades em responder às necessidades dos próprios cidadãos não consegue sustentar uma política migratória assente apenas na quantidade de entradas.

A imigração é importante quando responde às necessidades da economia, quando é regulada e quando promove integração, criação de riqueza e fixação de pessoas. O que não faz sentido é transformar Portugal numa porta de entrada para quem nunca teve intenção de aqui construir um projeto de vida.

Ser solidário não significa abdicar de regras. Receber quem procura uma oportunidade implica também exigir respeito pelas leis, pelos costumes, pela cultura e pelos valores que definem Portugal. Uma política migratória equilibrada deve proteger quem vem para contribuir e integrar-se, mas também defender a coesão social e o interesse nacional.

Portugal precisa de deixar de ser apenas a porta de entrada da Europa e voltar a ser um país de destino para quem quer trabalhar, integrar-se, criar riqueza e construir aqui o seu futuro.

Nuno Martins