OPINANDO: Respeitar o Passado para Construir o Futuro em Fornos de Algodres
50 Anos do Poder Local.
A Democracia que nasceu perto das pessoas.
Passaram 50 anos desde a realização das primeiras eleições autárquicas livres em Portugal. Meio século que representa muito mais do que uma data histórica — representa o nascimento de uma democracia próxima das pessoas, construída a partir das freguesias, dos concelhos e das comunidades locais.
Após o 25 de Abril de 1974, Portugal abriu as portas à liberdade. Mas foi com as primeiras eleições autárquicas, em 1976, que essa liberdade começou verdadeiramente a ganhar raízes no território. Foi nesse momento que os cidadãos passaram a escolher diretamente quem melhor conhecia as suas terras, os seus problemas e as suas aspirações.
O poder local tornou-se, desde então, um dos pilares fundamentais da democracia portuguesa.
Assinalar o 25 de Abril e celebrar os 50 anos do poder autárquico no concelho de Fornos de Algodres, deveria ter sido um momento de profunda gratidão, de memória e de reconhecimento para com todos aqueles que, ao longo destas cinco décadas, serviram a nossa terra com dedicação, sacrifício e verdadeiro espírito de missão, como aconteceu por todo o país.
Celebrar os 50 anos do poder local, devia ser acima de tudo, homenagear todos aqueles que, ao longo destas cinco décadas, deram o seu tempo e a sua dedicação ao serviço público.
Infelizmente, o que ficou foi um sentimento de tristeza e de ingratidão. Ingratidão para com homens e mulheres que, independentemente da sua cor política, deram parte das suas vidas ao serviço público, ajudando a construir freguesias mais fortes, um concelho mais desenvolvido e uma democracia mais próxima das pessoas.
Estes homens e mulheres foram os arquitetos do saneamento, das escolas, do alcatrão e da cultura quando tudo estava por fazer. Apagá-los das celebrações atuais é um ato de ingratidão que empobrece a nossa democracia.
É difícil compreender como, numa data tão simbólica, ambos os partidos políticos que marcaram e sustentaram a vida política Fornense, ao longo destes 50 anos tenham falhado num gesto tão simples, mas tão importante: lembrar e homenagear aqueles que fizeram do poder local uma verdadeira extensão dos valores de Abril.
Presidentes de Câmara, Vereadores, Presidentes de Junta, Membros da Assembleia Municipal e de Freguesia e tantos outros autarcas foram pilares fundamentais na construção do presente que hoje vivemos. Muitos enfrentaram dificuldades, críticas e sacrifícios pessoais, sempre com o objetivo maior de servir a população e dignificar a sua terra.
Esquecer esse percurso não é apenas uma falha institucional — é uma injustiça moral. Porque quem não respeita o passado dificilmente valoriza o presente e jamais conseguirá perspetivar o futuro com verdade e responsabilidade.
Respeitar quem veio antes de nós não é um favor, é um dever. É reconhecer que nada se constrói sozinho e que cada conquista de hoje assenta no esforço, na coragem e na entrega de muitos que vieram antes.
Merece memória, merece respeito e merece grandeza. Porque Abril também se honra assim: com gratidão, com dignidade e com a consciência de que só valorizando o passado podemos viver plenamente o presente e construir um futuro melhor.
É PRECISO CONTINUAR A CUMPRIR ABRIL
Paulo Menano
