OPINANDO:Os pais no futebol: o mesmo problema de sempre!!!!
Os pais no futebol: o mesmo problema de sempre!!!!
O papel dos pais no desporto de formação é determinante para que a mudança de mentalidade seja efetiva e sustentável. Eles são o principal referencial emocional dos jovens atletas e influenciam diretamente a forma como estes vivem o treino, a competição, o sucesso e o fracasso. Quando os pais compreendem e respeitam os objetivos formativos, tornam-se aliados fundamentais do processo; quando não o fazem, podem, mesmo sem intenção, comprometer o desenvolvimento dos filhos.
Os pais devem, antes de tudo, assumir uma postura de apoio incondicional. Isso significa valorizar o esforço, a aprendizagem e a evolução,independentemente do resultado do jogo. A criança ou jovem precisa sentir que o seu valor não depende de ganhar, marcar golos ou ser titular, mas do seu empenho, atitude e compromisso. Esse tipo de apoio fortalece a autoestima e cria uma relação mais saudável com o desporto.
Infelizmente, o futebol de formação continua a ser palco de comportamentos que em nada dignificam o desporto. O que deveria ser um espaço de aprendizagem, crescimento e diversão para as crianças transforma-se, demasiadas vezes, num cenário de tensão criado por adultos que esquecem o seu verdadeiro papel.
Hoje,ao assistir a um de jogo de infantis ,aconteceu o que é impensável num jogo de Futebol muito menos na formação, uma situação profundamente lamentável: pais da bancada dirigiram palavras e atitudes hostis aos miúdos da equipa adversária, simplesmente porque estes responderam ao público. Crianças a reagir a provocações vindas de adultos. Só este facto devia fazer-nos parar e refletir.
Estamos a falar de crianças. Miúdos que estão a dar os primeiros passos no futebol, que ainda estão a aprender a lidar com emoções, com a frustração, com a vitória e com a derrota. Quando são expostos a insultos, pressões e agressividade vindas da bancada, algo está claramente errado. O problema não está na reação dos jovens, mas sim no comportamento dos adultos que deveriam ser exemplo.
O futebol infantil não é uma final da Liga dos Campeões, nem um palco para frustrações pessoais, ambições falhadas ou disputas entre pais. É um espaço de formação humana, onde se ensinam valores como o respeito, a disciplina, o espírito de equipa e o fair play. Quando esses valores são destruídos por quem está fora das quatro linhas, todo o trabalho feito por treinadores e clubes fica comprometido.
Depois surgem as perguntas habituais:
Porque é que tantas crianças abandonam o futebol tão cedo?
Porque é que há cada vez mais conflitos nos escalões de formação?
Porque é que os jogos de jovens acabam tantas vezes em confusão?
A resposta está, muitas vezes, na bancada.
Os miúdos aprendem pelo exemplo. Se veem adultos a insultar árbitros, adversários ou outras crianças, vão achar que esse comportamento é normal. E não é. Nunca foi.
Talvez esteja na hora de repensarmos seriamente o papel dos pais no desporto. Apoiar, incentivar e educar — sim. Pressionar, insultar e humilhar — nunca.
O futebol precisa de pais que acrescentem, não que estraguem.
Porque antes de formarmos jogadores, temos a responsabilidade de formar pessoas. E essa responsabilidade começa, muitas vezes, fora do campo.
Digo eu na formação da integridade aos jovens,que me escutam:”QUE SE QUEREM SER BONS ATLETAS,TÊM DE SER BOAS PESSOAS.
Paulo Menano
