Praça das Autárquicas: Entrevista a Cristiano Conduto, candidato à Câmara Municipal de Mêda pelo Patido Chega
Face às eleições autárquicas que se aproximam, o Mais Beiras Informação integra na rúbrica “Praça das Autárquicas” um questionário enviado aos candidatos. As respostas recebidas são posteriormente publicadas na íntegra, acompanhadas das respetivas perguntas, permitindo a cada candidato dar a conhecer aos nossos leitores e aos munícipes as suas ideias, propostas e prioridades.
Cristiano Filipe Martins Conduto, 42 anos, Funcionário Público, actualmente pertencente aos quadros da Polícia Judiciária, nascido em São Jorge Arroios – Lisboa, apresenta-se como candidato à Câmara Municipal de Mêda pelo Partido Chega.
“Não me poderia esquecer de deixar de agradecer à Patrícia Silva, que me lançou este honroso convite através do Senhor Deputado à Assembleia da República, Dr. Nuno Melo Simões. A ambos, autores desta candidatura, endereço o meu profundo reconhecimento e o meu muito obrigado pela confiança depositada. Esta é, acima de tudo, uma responsabilidade que assumo com determinação, sentido de missão e compromisso firme de corresponder às expectativas colocadas em mim.”
Quais os motivos da sua candidatura a estas Autárquicas?
Apresento-me aos cidadãos de Mêda com espírito de serviço e sentido de missão, afirmando que a minha candidatura não nasce da ambição pessoal, mas da vontade de construir um concelho mais forte e justo. Apesar de não ser natural da terra, sublinho um compromisso verdadeiro com uma comunidade que ultrapassa fronteiras e enraíza-se na dedicação ao bem comum. Assumo o desafio em nome de uma mudança genuína, com uma gestão próxima dos cidadãos, transparente no uso dos recursos e eficaz na resolução dos problemas. Defendo que cada euro público seja investido com responsabilidade, combatendo o desperdício e garantindo transparência em todas as decisões. Proponho revitalizar a economia local, atrair investimento, criar emprego e valorizar os produtos, património e tradições de Mêda, de modo a fixar jovens e talentos no concelho. Comprometo-me a assegurar segurança, ordem e justiça, defendendo os valores da família, da tradição e da identidade cultural. Peço a confiança dos cidadãos para juntos, fazerem nascer uma Mêda próspera, dinâmica e fiel às suas raízes.
O que considera ter de diferente dos outros candidatos, para se candidatar a este mandato?
O que me distingue dos restantes candidatos é, antes de mais, a independência e a visão descomprometida que trago a esta eleição. Não sendo residente, não estou preso a redes de interesses, nem condicionado por rivalidades ou dinâmicas locais que tantas vezes travam o progresso. Esta distância permite-me olhar para os desafios de Mêda com objetividade, pragmatismo e foco no que realmente importa: o bem-estar dos cidadãos e a eficiência da gestão. Acresce a minha experiência profissional e cívica, que me dotou de competências sólidas de liderança, planeamento estratégico e gestão de recursos, capacidades fundamentais para enfrentar a complexidade que hoje se coloca no município. Não me apresento como um político tradicional, mas como alguém que procura modernizar processos, implementar boas práticas e trazer inovação à governação local. Finalmente, a minha candidatura não é apenas individual, mas parte integrante de um projeto político claro: o Partido Chega, que se assume como uma verdadeira alternativa ao status quo, defendendo rigor, transparência, combate à corrupção e valorização do mérito e do esforço. A diferença que apresento aos cidadãos de Mêda está precisamente aqui: uma visão externa e fresca, uma experiência consolidada em gestão e a força de um projeto político que promete romper com o passado e construir uma autarquia mais justa, transparente e ao serviço de todos.
Quais os setores que considera importantes impulsionar ou melhorar na região?
Mêda possui um potencial extraordinário que precisa ser aproveitado com visão estratégica e coragem política. O setor agrícola e agroindustrial é a nossa maior riqueza, mas não basta produzir: é necessário valorizar, transformar e criar marcas de qualidade que coloquem os nossos produtos no mercado nacional e internacional. Com modernização, certificação e apoio às pequenas e médias agroindústrias, podemos abrir caminho a novos horizontes como a agricultura biológica e os produtos gourmet, garantindo mais rendimento aos agricultores. O turismo, por sua vez, é um tesouro ainda por explorar. Do Vale do Côa às aldeias históricas, passando pela gastronomia e pelo vinho, Mêda tem tudo para afirmar-se como destino turístico de excelência. É preciso investir em infraestrutura, roteiros temáticos, digitalização da oferta e capacitação dos agentes locais, integrando Mêda numa estratégia mais ampla de promoção regional. Outro desafio urgente é a fixação de jovens e a atração de novos residentes. Só conseguiremos travar o despovoamento se criarmos condições para viver, trabalhar e investir: habitação acessível, melhores serviços de saúde e educação, incentivos fiscais, emprego em setores emergentes como tecnologia e economia verde. Tudo isto depende também de boas infraestruturas e acessibilidades: estradas modernas, internet rápida em todo o concelho e equipamentos públicos preparados para o futuro. Estes são os eixos que considero prioritários para uma Mêda mais forte. Com uma gestão autárquica inovadora, transparente e próxima, transformaremos desafios em oportunidades e construiremos um concelho próspero, dinâmico e capaz de segurar as suas gentes e atrair novas gerações.
Nestes quatro anos que passaram, o que faria de diferente relativamente ao executivo Camarário vigente?
A análise da gestão autárquica atual deve ser feita com respeito, mas também com rigor e coragem, porque só assim se constrói uma verdadeira alternativa. Não me move uma crítica destrutiva, mas a convicção de que Mêda poderia ter ido mais longe, com mais transparência, mais ambição e mais proximidade aos cidadãos. Em primeiro lugar, a transparência e a participação cívica deveriam ter sido elevadas à prioridade máxima. A Câmara não pode ser uma casa fechada: deve ser um livro aberto, onde cada cidadão saiba como são aplicados os fundos, como são feitas as contratações e quais são as opções estratégicas. Orçamentos participativos robustos, conselhos consultivos temáticos e plataformas digitais interativas teriam aproximado os munícipes da decisão política. Em segundo lugar, a dinamização económica foi tímida e pouco ousada. Mêda precisa de uma estratégia agressiva de captação de investimento, de um gabinete de apoio ao investidor, de burocracia reduzida e de incentivos claros. Só assim se combate o despovoamento e se gera emprego com valor. A habitação, terceiro eixo crucial, continua a ser um problema estrutural: faltam programas eficazes de reabilitação urbana e parcerias para garantir casas a preços acessíveis, quer para jovens, quer para novos residentes que possam fixar-se no concelho. Por último, o património e a cultura não foram valorizados com a visão estratégica que merecem. Mêda tem um legado histórico riquíssimo, mas precisa de dinamização, de eventos culturais atrativos e de
envolvimento das associações locais como motores de desenvolvimento. Em suma, o que faltou à atual gestão foi ousadia, transparência e visão de futuro. O que eu proponho é uma mudança de paradigma: uma liderança arrojada, participativa e comprometida com o desenvolvimento económico e social de Mêda, que coloque sempre os interesses da população acima de tudo
Acredita que os recursos de que dispõe a Câmara são suficientes para fazer face às necessidades dos cidadãos que aqui residem?
A questão da suficiência dos recursos camarários é central para o futuro de Mêda e exige uma análise honesta. O problema não reside apenas no volume dos recursos, mas sobretudo na forma como estes são utilizados. O orçamento e os meios humanos existentes poderiam ser suficientes se fossem geridos com rigor, planeamento estratégico e foco nas prioridades reais dos cidadãos. Infelizmente, demasiadas vezes a burocracia, a ausência de visão a longo prazo e a falta de critérios claros de investimento comprometem a eficácia da gestão. Mêda enfrenta ainda desafios estruturais acrescidos – despovoamento, envelhecimento da população e manutenção de infraestruturas dispersas – que exigem um esforço financeiro superior. Mas em vez de resignação, é preciso ambição: aproveitar melhor os fundos comunitários, criar parcerias estratégicas, atrair investimento privado e exigir ao poder central um financiamento mais justo para os territórios de baixa densidade. O essencial é fazer mais e melhor com o que existe, cortar desperdícios e investir onde verdadeiramente importa. A suficiência dos recursos não é um ponto de partida, mas um objetivo que se alcança com gestão competente, transparente e visionária. É essa coragem de decidir e de inovar que proponho trazer para a Câmara Municipal de Mêda.
Sendo um concelho situado no Interior, que políticas acredita serem necessárias implementar pelo Governo para diminuir o despovoamento e desertificação?
O despovoamento e a desertificação do interior são um dos maiores flagelos do país e Mêda conhece bem os seus efeitos. Reverter esta tendência não pode ser apenas um discurso de intenções: exige uma estratégia nacional robusta, com políticas públicas eficazes e recursos adequados. Em primeiro lugar, é preciso uma fiscalidade diferenciada que torne o interior atrativo, com reduções significativas no IRC para empresas que invistam, isenções de IMI, benefícios fiscais para criação de emprego e deduções no IRS para famílias que se fixem, bem como apoios à habitação e reabilitação urbana. Em segundo lugar, a modernização das infraestruturas é urgente: internet rápida em todo o território, melhores estradas, serviços de saúde com meios humanos e tecnológicos adequados e escolas de qualidade capazes de fixar professores e atrair alunos. Em terceiro lugar, importa valorizar os recursos endógenos, apoiando a agricultura, a floresta, o turismo rural e a criação de cadeias de valor locais, com incentivos à inovação, exportação e diferenciação de produtos. A natalidade e o apoio à família são também centrais: mais creches, jardins de infância, medidas de conciliação da vida profissional e familiar e habitação a custos acessíveis são condições indispensáveis para fixar jovens casais no concelho. Finalmente, é necessária uma verdadeira descentralização, dotando as autarquias de meios financeiros e competências efetivas para implementar soluções adaptadas à realidade local. Só com coragem política e uma visão de longo prazo, articulando o nível nacional com o poder local, será possível inverter o ciclo do despovoamento e devolver vitalidade ao interior.
Que medidas pretende implementar para captar investidores para o concelho?
A captação de investimento é essencial para o desenvolvimento económico de Mêda e para a criação de emprego. Apesar dos desafios do interior, o concelho tem um enorme potencial que pode ser transformado em oportunidades com uma estratégia clara. A criação de um Gabinete de Apoio ao Investidor será um primeiro passo decisivo: uma porta única para acolher investidores, simplificar processos, agilizar licenciamentos e eliminar a burocracia que tantas vezes trava o crescimento. A par disso, defendo um pacote de incentivos fiscais e financeiros municipais, que complemente os apoios nacionais e comunitários: reduções ou isenções de taxas e impostos locais, fundos de apoio à instalação e expansão de empresas, acesso a terrenos e imóveis em condições vantajosas e linhas de crédito em parceria com instituições financeiras. Mas não basta criar condições internas: é preciso promover Mêda no país e no estrangeiro, com um plano de marketing territorial robusto, presença em feiras e eventos, missões empresariais e uma forte aposta na valorização dos nossos produtos, património e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, devemos investir em infraestruturas modernas, desde acessibilidades a internet de alta velocidade, e na qualificação da mão-de-obra local, em articulação com escolas e centros de formação. Finalmente, é crucial criar um ecossistema de negócios dinâmico, com incubadoras de empresas, espaços de coworking e programas que incentivem o empreendedorismo e a inovação. Com estas medidas, Mêda deixará de ser vista como um território periférico e passará a afirmar-se como um espaço de oportunidades, capaz de atrair investimento, gerar riqueza e garantir um futuro próspero para os seus cidadãos
Como acha que deve a Câmara proceder, para procurar fazer face ao desemprego crescente na região?
O desemprego é um flagelo que fragiliza famílias, trava o desenvolvimento e agrava a desertificação. Em Mêda, este problema exige uma resposta firme e estratégica por parte da Câmara Municipal, que deve assumir-se como motor da criação de emprego e da dinamização económica. A primeira prioridade é fomentar o empreendedorismo local, com programas de apoio à criação de negócios, formação em gestão e marketing, acesso a microcrédito e incubadoras de empresas que transformem ideias em oportunidades. Em paralelo, a autarquia deve ser o elo entre empresas e cidadãos, criando uma bolsa de emprego municipal, organizando feiras de recrutamento e articulando-se com centros de formação para alinhar competências às necessidades do mercado. Outro eixo fundamental é o apoio às empresas já instaladas e a atração de novas, garantindo incentivos fiscais, processos simplificados e zonas industriais modernas que deem confiança a quem investe. Mas é preciso também apostar em setores estratégicos onde Mêda tem vantagem competitiva: a agricultura de valor acrescentado, o turismo rural e cultural, as energias renováveis e a valorização dos produtos locais. Cada um destes setores pode gerar emprego direto e indireto e criar cadeias de valor sólidas para a economia do concelho. Finalmente, nenhum combate ao desemprego será
eficaz sem uma aposta séria na qualificação e requalificação profissional. Em parceria com instituições de ensino e empresas, a Câmara deve oferecer formação que prepare os munícipes para as novas exigências do mercado e para os desafios da economia digital e verde. Só com uma estratégia integrada e visão de futuro será possível transformar o desemprego em oportunidade, devolver esperança às famílias e construir um concelho mais próspero e atrativo para viver e trabalhar.
Que conselho daria a um deslocado em busca de novas oportunidades?
Para quem chega ao concelho da Mêda em busca de novas oportunidades, a preparação é essencial. Conhecer o mercado de trabalho local, os setores em crescimento, o custo de vida e os recursos disponíveis para formação ou apoio à recolocação reduz incertezas e potencia o sucesso. A flexibilidade é igualmente importante: nem sempre a primeira oportunidade será ideal, pelo que a adaptação a diferentes funções e rotinas é crucial. Investir na qualificação profissional e atualizar competências abre portas, enquanto a construção de uma rede de contactos local facilita o acesso a oportunidades. No concelho da Mêda, onde a economia se apoia em setores como agricultura, turismo e serviços, identificar mercados em crescimento é estratégico. As competências transversais, como comunicação, resiliência e trabalho em equipa, ganham relevância, sobretudo para quem enfrenta mudanças. Participar em associações locais, eventos comunitários ou iniciativas culturais fortalece a integração e o networking. Manter uma atitude positiva, celebrar pequenos progressos e ter objetivos claros ajuda a superar desafios. A experiência de deslocamento desenvolve naturalmente inteligênci emocional e capacidade de adaptação. Em suma, preparar-se, adaptar-se, qualificar-se, conectar-se e acreditar no próprio potencial são passos essenciais para prosperar em Mêda. O concelho oferece oportunidades a quem as procura com determinação e visão estratégica.
