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Sapador florestal denuncia abusos e bullying em Seia


Um sapador florestal da Câmara Municipal de Seia apresentou queixa por alegados abusos sexuais e situações de bullying praticadas por colegas e por um superior hierárquico ligado à Proteção Civil. O caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária da Guarda, enquanto a autarquia abriu um processo disciplinar interno e comunicou os factos ao Ministério Público.

O homem, de 62 anos, desempenhou várias funções ao serviço da autarquia, até que, em 2018, chegou a Sapador Florestal, altura em que foi alvo de bullying. Segundo o seu testemunho, os episódios agravaram-se a partir de 2022, quando terão começado os abusos sexuais por parte de todos os elementos da equipa: colegas e um superior hierárquico. “Um enfiava-me a cabeça nas pernas dele, outro prendia-me os braços e despiam-me as calças. Eu fazia de tudo para não ser violado. Muitas vezes os abusos foram filmados”, conta ao Correio da Manhã.

A vítima descreve um clima constante de medo, sobretudo durante a época de incêndios, quando passava mais tempo com os alegados agressores que, alegadamente, abusaram do homem nos estaleiros e na viatura. “Fizeram-me isso centenas de vezes”, afirmou, recordando situações em que, por estar ferido, demorou mais tempo a equipar-se para ocorrências, e acabava por ser insultado.

Os abusos terão cessado apenas em janeiro de 2025, após o homem sofrer um AVC. Desde então, está de baixa e garante que, por várias vezes, pensou em suicidar-se, explicando que só agora teve coragem de denunciar o caso, depois de se tornar pública a violação coletiva a um bombeiro no quartel do Fundão.

O presidente da câmara, Luciano Ribeiro, garantiu apoio social à alegada vítima e assegurou que será colocado noutro serviço quando regressar ao trabalho. Os alegados agressores continuam em funções enquanto decorre a investigação.

Fonte: Correio da Manhã