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Diretor: Paulo Menano

Teleconsultas na ULS do Fundão em plena sala de espera levantam preocupações de privacidade


Um relato publicado recentemente nas redes sociais está a gerar preocupação quanto às condições em que estão a ser realizadas teleconsultas na Unidade Local de Saúde (ULS) do Fundão, levantando questões sérias sobre a privacidade, confidencialidade médica e proteção de dados pessoais dos utentes.

Segundo o testemunho, os factos ocorreram no dia 21 de dezembro de 2025, quando um familiar do autor do relato contactou a ULS do Fundão a solicitar uma consulta urgente. Apesar de lhe ter sido indicado que a consulta seria realizada em regime de teleconsulta, foi-lhe pedido que se deslocasse presencialmente à unidade.

Já no local, após a inscrição, foi-lhe solicitado que aguardasse na sala de espera, onde o telefone tocaria para a realização da consulta, sendo explicado que apenas passaria a presencial caso o médico o considerasse necessário.

O utente descreve a sala de espera como um espaço pequeno, cheio e ruidoso, com vários doentes presentes. Durante a espera, apercebeu-se de que outro utente caminhava pela sala enquanto falava ao telemóvel, vindo a perceber, pelo conteúdo da conversa, que se tratava de uma teleconsulta médica em curso, realizada em plena sala de espera.

Pouco depois, o mesmo aconteceu com o seu familiar, que recebeu a chamada da médica assistente e teve de explicar, em voz audível, os motivos da consulta, os sintomas e a medicação que tomava, num espaço público, sem qualquer privacidade.

De acordo com o autor do relato, o ambiente dificultava a comunicação e tornava inadequada a descrição de informação clínica sensível, situação que considera “vergonhosa e atentatória da dignidade dos utentes”, configurando, no seu entender, uma violação clara do direito à privacidade, à confidencialidade médica e à proteção de dados pessoais, direitos legalmente consagrados.

Na publicação, o cidadão questiona ainda se a ULS do Fundão não dispõe de um espaço reservado que permita a realização de teleconsultas com condições mínimas de privacidade e respeito pelos utentes.

A situação terá já sido reportada à Direção da ULS do Fundão e à Entidade Reguladora da Saúde (ERS). O autor do testemunho afirma aguardar agora para saber se haverá vontade de corrigir uma prática que, considera, “não dignifica o Serviço Nacional de Saúde nem respeita quem dele depende”.

O relato termina com a frase: “Quem cala consente, e eu não consinto”.