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Diretor: Paulo Menano

TRANCOSO: O fecho da Estação de Vila Franca das Naves é como passar uma certidão de óbito a uma região inteira


“Fechar a estação de Vila Franca das Naves é assinar a certidão de óbito de uma região inteira.

As Infraestruturas de Portugal falam em “racionalização” e “otimização”. Ou seja, cortar o que dá trabalho para alimentar a estatística. Mas Vila Franca das Naves não é um número. É a porta de entrada do concelho de Trancoso, é serviço a Almeida, a Pinhel, a dezenas de aldeias que ficam órfãs de comboio. E à região do Douro.

Primeiro esvaziam os horários. Depois retiram o pessoal. E no fim dizem que “não tem procura”. É um crime premeditado contra o Interior. Matam o serviço para depois enterrá-lo com um relatório técnico.

A Linha da Beira Alta é um eixo internacional, corredor de mercadorias e passageiros entre o Atlântico e a Europa. Fechar estações no seu traçado é sabotar o país. Vila Franca das Naves tem plataforma, tem cruzamentos, tem população que depende dela para estudar e tratar da saúde em Coimbra, trabalhar na Guarda, chegar ao Porto ou a Lisboa. Tirar-lhe o comboio, é dizer-lhe: “Mudem-se, aqui não há futuro”.

Chamam-lhe gestão moderna. Eu chamo-lhe abandono centralista. Poupam-se umas dezenas de milhar por ano em manutenção e gastam-se milhões depois em subsídios para “combater a desertificação”. Hipocrisia paga com dinheiro público.

Se as IP querem mesmo fechar a estação de Vila Franca das Naves, que tenham a decência de vir cá explicar, cara a cara, aos idosos que ficam sem transporte, aos estudantes que ficam sem ligação, aos autarcas que lutam para fixar gente. Mas não vão. Decidem-se estas mortes nos gabinetes, longe do cheiro a carris e a terra.

Sr Ministro das Infraestruturas e Caro Colega, não extinga este INTEROR, não nos abandone.

Contamos consigo Sr. Ministro!

Fechar esta estação não é progresso. É rendição. É dizer ao Interior que Portugal acaba em Aveiro.”

Mário Cruz Gonçalves