VOUZELA: Projetos da Binaural Nodar dão visibilidade às mudanças sociais
O Cineteatro João Ribeiro, em Vouzela, e o Auditório Municipal de Castro Daire acolheram, nos passados dias 29 e 30 de abril, três apresentações do espetáculo teatral “Um Desconhecido da Nossa Terra”, uma criação comunitária de Rui Catalão, que contou com a coprodução da associação Binaural Nodar e da Irreal.
Em palco, nove jovens de São Tomé e Príncipe, que estudam na Escola Profissional de Vouzela e no Pólo de Castro Daire da Escola Profissional Mariana Seixas, fizeram uma retrospetiva sobre as suas raízes, a cultura, a música e a gastronomia que marca as suas origens, sem esquecer a chegada e a integração em Portugal.
Conforme explica o coordenador da Binaural, Luís Costa, o projeto permitiu “ao longo de um ano letivo, trabalhar questões de autorrepresentação de uma comunidade muito específica, de São Tomé e Príncipe, que, neste caso, vive em Vouzela e em Castro Daire, e estuda nas respetivas escolas profissionais, mas que, de alguma forma, tende a viver numa certa ‘redoma’. Como são em número significativo, tendem a formar o seu próprio grupo, o que faz com que a comunidade de acolhimento não tenha grande consciência de quem são, o que pensam, o que ouvem, como se relacionam, etc.”.

Por outro lado, destaca, o autor aborda “questões como o empoderamento e quais as lacunas que os jovens podem superar para terem autoestima que lhes permita, depois de acabarem os estudos, singrarem no seu trabalho e na sua vida”.
Luís Costa evoca uma das mensagens transmitida por Rui Catalão aos alunos: “O futuro de Portugal é vosso”. Para o coordenador da associação, “é uma frase forte, mas que condensa as mudanças sociais nas últimas décadas e transmite aos jovens que o que eles fizerem de bom, seja ao terem autoestima ou responsabilidade, será estruturante”.
O resultado foi “uma representação teatral, quase como se fosse um conjunto de exercícios levados ao palco e que põem os jovens a falar das suas coisas, a projetar a voz e a partilhar a sua memória individual e pessoal, numa perspetiva quase autobiográfica, mas que tem também uma dimensão coletiva”.
Foram entidades parceiras Escola Profissional de Vouzela, Escola Profissional Mariana Seixas (Pólo de Castro Daire), Município de Vouzela e Município de Castro Daire.
A valorização do património humano
A criação está enquadrada nas atividades da Rede Tramontana, projeto europeu que a Binaural Nodar está a liderar e que é cofinanciado pelo programa Europa Criativa da União Europeia. que se foca na valorização do património etnográfico e imaterial nas montanhas da Europa. Entre as áreas abrangidas, explica o coordenador, estão “as mudanças sociais e as perceções das mesmas”.
Ao abrigo desta temática, a associação está também a desenvolver dois outros trabalhos: um com a comunidade ucraniana de Viseu, que tem também envolvida a ideia da migração; e outro com os jovens atletas de futsal de Lamego, “em que a questão de mudança surge mais numa perspetiva etária, aprofundando como é que neste território, igualmente de montanha, se vive o desporto”.
“São três dimensões do que podemos chamar a mudança social, e que complementa o nosso trabalho mais tradicional, nas aldeias, ligado a aspetos etnográficos”, salienta Luís Costa, acrescentando que estão envolvidos cerca de cem participantes.

A Binaural Nodar é uma entidade apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto | Direção-Geral das Artes.
Fotografias: Binaural Nodar
