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Diretor: Paulo Menano

Opinando: “Saúde para cidadãos de segunda”, de Luís Bidarra

SAÚDE PARA CIDADÃOS DE SEGUNDA

Como qualquer cidadão egitaniense, o bem-estar do povo da minha cidade é uma prioridade. O estado calamitoso dos cuidados de saúde na cidade da Guarda é de facto preocupante numa região envelhecida e deixada à sua sorte por consecutivos governos que prometem consecutivamente (quando veremos a prometida expansão do hospital?).

É um facto inegável que embora as promessas e os apoios à saúde na região tenham vindo a ser declamados ao longo dos anos a cada visita que é feita à cidade pelos sucessivos governos, estas demonstram-se curtas. A título de exemplo temos acontecimentos decorridos nas urgências do hospital da Guarda, no qual só aceitava “doentes críticos/Em risco de vida”. Este sucedido demonstra um elevado desprezo por estes serviços essenciais, desde a gestão interna do hospital, aos concursos, passando pelo próprio enquadramento dos serviços de saúde em Portugal, deixando aqui a minha empatia e solidariedade por cada português, em concreto, por cada guardense que tem vindo a sofrer consequências por este tipo de serviços de saúde prestados.

Ao contribuinte tem-lhe sido exigida uma carga fiscal elevada sem este se repercutir em serviços de qualidade, mesmo com aumentos sucessivos do orçamento para a saúde, sendo apenas confrontado com uma assistência medíocre ou até mesmo inexistente, como foi o caso acima citado. O hospital queixa-se de falta de recursos humanos, as pessoas queixam-se de falta de assistência médica e, no meio deste aparente dilema, as soluções que não visem encargos para o contribuinte escasseiam, tendo muitas vezes que recorrer às suas poupanças para se poder tratar condignamente.

No entanto soluções não escasseiam para resolver os problemas de consultas em atraso, faltas de recursos humanos, cirurgias com filas de espera de anos e dividas enormes. Tal passa por reestruturar a saúde, deixar que sejam os utentes a escolher sem qualquer custo adicional e o estado financiar através dos impostos pagos um serviço de qualidade. E por o que pode passar essa qualidade? Pode passar por exemplo por um modelo Bismarck, onde fundamentalmente o cidadão escolhe onde quer ir (publico, privado e social) e o estado paga com os impostos coletados para o efeito e pelas contribuições feitas para um subsistema similar à ADSE aplicado a todos (pago pelo estado em casos de desemprego, ou outro tipo de carências financeiras impeditivas desta contribuição), deixando de haver cidadãos de primeira e segunda como atualmente. No que é que isto se diferencia do modelo atual? Primeiramente rege-se por sistemas de saúde mais eficientes, com menor tempo de espera e atendimentos de melhor qualidade pois o utente tem mais espaços de saúde aos quais pode aceder, diminuindo assim o rácio utente-médico/enfermeiro. Este sistema de saúde ao contrário do atual rege-se por uma política de saúde de prevenção e controlo recorrente dos utentes impedindo que estes deixem a saúde degradar-se ao ponto de se levar à necessidade de tratamentos de elevado custo (embora nem sempre possíveis de prevenir).

No caso da Guarda e falando em termos práticos, o utente passaria a deter a possibilidade de ser tratado não só no hospital Sousa Martins como também, por exemplo, na CUF Viseu Hospital ou na casa de saúde São Mateus ao mesmo custo, sendo o transporte médico abrangido, podendo flexibilizar-se outras soluções. A liberalização da saúde não pretende abolir o SNS, deixando os menos afortunados à deriva. Pretende sim que a saúde dos portugueses seja colocada a frente de interesses ideológicos, sem que os mais desfavorecidos sejam impossibilitados de se tratar.

Seguindo esta linha de abertura do SNS, os hospitais públicos perderiam a pressão que tanto os atormenta, resultando num melhor serviço, tanto nos hospitais públicos como nos privados, em função da escolha de cada um. Tal foi ainda possível de corrigir usando PPP como no hospital Braga, no qual aos cofres do estado resultou num saldo positivo de vários milhões com assinaláveis melhorias na lista de espera e nos atendimentos.

Porque não basta servir o cidadão, ideias como as sugeridas pela Iniciativa Liberal acreditam que deve ser dada a possibilidade de escolha ao utente, de modo que o mesmo se sinta verdadeiramente uma assistência à sua saúde e seja tratado o mais celeremente possível. É uma função obrigatória do estado tratar, com a máxima qualidade e dedicação, as pessoas. Porque acredito que todos as vidas importam, independentemente das posses de cada um, defendo um verdadeiro acesso à saúde. Para uns, o Estado está cá para ser prestador e dono da saúde.

Para nós, o estado está cá para servir bem e livremente o cidadão para uma das suas funções vitais, a garantia da assistência à saúde de todos.