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Diretor: Paulo Menano

355 anos da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fornos de Algodres

A Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fornos de Algodres é uma Instituição Particular de Solidariedade Social na ordem jurídica canónica, que comemora, este ano, o seu 355º Aniversário.

A história da sua fundação remonta a 1666, por decreto régio de D. Afonso VI (o Vitorioso). Assim, sabe-se que foi fundador desta Misericórdia, o Licenciado Manuel Cabral de Figueiredo, doando-lhe os bens duma capela vinculada, em seu testamento de 6 de Julho de 1637. Esta doação foi confirmada, anos mais tarde, pela sua esposa, D. Constança Cabral, por testamento de 27 de julho de 1650 e pelo Padre António Cabral Osório, beneficiado da colegiada de Seia, mas residente em Fornos, onde foi mordomo da Confraria em 1642.

A instituição da Misericórdia foi posteriormente autorizada, a pedido da Câmara, Nobreza e Povo, por Alvará Régio de 12 de Outubro de 1666. Logo depois de instituída, em 1668, apossou-se a Misericórdia da capela do Espírito Santo, sita nesta vila, filial que era desta paróquia, na qual existia uma inumerável irmandade com a invocação do Espírito Santo que os mesmos irmãos da Misericórdia absolutamente extinguiram e tomaram posse, contra vontade do pároco e sem licenças jurídicas, usurpando para a dita irmandade da Misericórdia bens que à dita capela pertenciam.

A esta Misericórdia deixou D. Constância, natural desta vila, muitos bens que possuía entre os quais umas casas junto a uma capela com a invocação da Senhora dos Remédios, que os mesmos irmãos da Misericórdia mandaram demolir, fundando nela um sumptuoso templo de casa de Misericórdia. Apoderou-se, também, a Misericórdia da casa do hospital e dos seus bens, pelo que ficou senhora de bastantes terras e casas, que arrendava e emprazava. Não tardou a construir casa e igreja própria, para cujas obras contribuíram alguns filhos da terra, entre os quais o Padre Manuel de Albuquerque, abade de Aveleda.

Esta Igreja património da Irmandade, que também lhe deu nome “Igreja da Misericórdia” remonta, então, ao séc. XVII e é detentora de distintas obras de arte, com realce para a talha dourada, as imagens e o teto do altar-mor, que exibe 36 pinturas de numerosos santos e ainda outros símbolos santificados de mártires da primitiva Igreja. Muito bem conservados, possibilitam aferir a devoção antiga dos habitantes. Os quadros a óleo remontam ao séc. XVIII, atribuindo-se a autoria ao Mestre Jerónimo da Cunha, de Vila Ruiva. Já, a fachada da Igreja, templo de uma só nave, inscreve-se no barroco joanino, com pórtico, volutas e frontão.

A filosofia que suporta toda a intervenção da Irmandade assenta no pressuposto fundamental de fazer mais e melhor em prol da população do concelho. Para tal, tem vindo a desenvolver um trabalho incansável na procura constante da melhoria do bem-estar da pessoa que recebe, no seu todo, prioritariamente dos mais desprotegidos, por meio da prestação de cuidados humanizados e individualizados, numa intervenção interdisciplinar.