VISEU: Festival TRiP 2026: Entre o palco e a comunidade
No próximo 12 de setembro, o Festival TRiP está de regresso ao Parque Linear do Rio Pavia, em Viseu, sob o mote Um Lugar de Encontros.
A programação inclui teatro de marionetas, música, dança e circo contemporâneo, cinema para os mais novos e canção de autor.
Entre o palco e a comunidade
O Festival TRiP regressa ao Parque Linear do Rio Pavia, em Viseu, no dia 12 de setembro, para mais uma edição com programação multidisciplinar, gratuita e de proximidade. Reunindo alguns relevantes nomes da cultura contemporânea a par de projetos participativos, com propostas dirigidas a públicos de todas as idades, o festival promove o convívio intergeracional, a diversidade cultural e o fortalecimento dos laços entre comunidade, território e cultura.
Desde a sua criação, em 2022, o TRiP tem vindo a transformar o Parque Linear do Rio Pavia num espaço de convivência, partilha e criação coletiva, contribuindo para a valorização desta zona ribeirinha de Viseu através da cultura e promovendo a sua utilização de forma mais
inclusiva.
Um Lugar de Encontros é o mote da edição de 2026 e a proposta é um dia dedicado ao cruzamento de linguagens e de perspetivas, no qual se afirme a diversidade como espaço de encontro, diálogo e criação. Ao longo de todo o programa – do teatro de marionetas à música, da dança ao circo contemporâneo, do cinema para os mais novos à canção de autor –, o TRiP convida diferentes gerações, comunidades e sensibilidades artísticas a partilhar o mesmo território.
Esta ideia de encontro atravessa toda a programação. Mas é, sobretudo, no cruzamento entre o palco e a comunidade, entre quem cria e quem assiste, entre gerações e territórios, que o festival constrói o seu verdadeiro sentido de lugar.
Toda a programação
Cinema Insuflável: a sala de cinema das crianças
O Cinema Insuflável é uma sala de cinema itinerante, pensada para crianças dos 3 aos 12 anos. Num formato simples e acolhedor, propõe uma primeira experiência cinematográfica memorável para o público mais jovem. As sessões programadas com curtas-metragens premiadas em festivais de todo o mundo, que abordam temas como o ambiente, a amizade, a partilha, a igualdade e o combate ao bullying. Na semana anterior ao festival, realizam-se ainda duas oficinas de cinema de animação, nas quais os participantes criam e montam o seu próprio
pequeno filme.
Sobre o projeto
O Cinema Insuflável é um projeto itinerante de mediação cinematográfica dedicado ao público infantil, criado com a missão de democratizar o acesso ao cinema de qualidade e fomentar o pensamento crítico desde cedo. A sua equipa combina experiência em programação, pedagogia artística e produção cultural. As sessões vão ser apresentadas por Catarina Ramalho, diretora do Festival PLAY – Festival Internacional de Cinema Infantil e Juvenil de Lisboa. “Musko”, pelo coletivo WeTumTum, “Musko” é uma performance que combina natureza e percussão, para miúdos e graúdos, divertida e cheia de ritmo. Tem a floresta como imaginário e transporta o público para um mundo cheio de vida e som. Os músicos interagem com a paisagem natural, na qual se inspiram. Usam vários tipos de instrumentos de percussão, alguns feitos com materiais não convencionais, e tubos que ecoam pelo espaço.
Sobre o coletivo
WeTumTum é um coletivo que cruza percussão, performance e práticas experimentais em diálogo com o espaço, o corpo e o ambiente. O seu trabalho assenta numa investigação sonora com instrumentos de percussão não convencionais, objetos ressonantes e materiais orgânicos, trabalhando frequentemente em contextos site-specific. “Ai de Mim, Ai do Eu”, pela Trupe Fandanga Este micro-espetáculo de teatro de marionetas acompanha, através de uma marioneta efémera moldada em barro e mãos, a viagem de uma personagem solitária que, num processo de construção e desconstrução, se despoja acidentalmente do seu ego, à procura de uma identidade perdida. A ação decorre num dispositivo cénico intimista, que integra cenário e uma pequena plateia. O espetáculo tem 15 minutos de duração e foi pensado para crianças a partir dos 6 anos.
Sobre a companhia
A Trupe Fandanga nasceu no Porto em 2014, sob direção de Sandra Neves, com estreia num WIP do Festival Internacional de Marionetas do Porto. Pesquisa a construção e manipulação de marionetas e objetos fora do espaço convencional de representação, com especial interesse por formatos intimistas e de pequena escala. “O Livro das Memórias”, oficina de colagem e desenho com Paula Delecave Que memória guardas com mais carinho? Quem é a pessoa mais antiga da tua família? Existem cheiros, sabores ou toques que te levam de imediato a uma lembrança? Partindo destas perguntas, esta oficina propõe a construção coletiva de um livro de memórias, feito de desenhos, colagens e fotografias, viajando por diferentes tempos sem sair do mesmo lugar. Convidam-se os participantes a trazer cópias de fotografias pessoais que possam ser recortadas e usadas como ponto de partida para as colagens.
Sobre a artista
Paula Delecave é designer, ilustradora e atriz. Utiliza a colagem como linguagem gráfica privilegiada e tem trabalhos publicados em revistas e editoras do Rio de Janeiro e de São Paulo. Realiza regularmente oficinas de construção de livros de família. Laurindinhas Libertam a Sua Voz Projeto de arte comunitária de base musical enraizado no território de Arganil, Laurindinhas Libertam a Sua Voz parte do cancioneiro tradicional local para o repensar, transformar e devolver à comunidade com novo fôlego. Assente em metodologias de cocriação, o projeto desenvolve um trabalho artístico e social em torno da memória, da voz e do corpo coletivo, utilizando a música como ferramenta de encontro, escuta, participação e emancipação simbólica.
Sobre a equipa criativa
A equipa criativa de Laurindinhas Libertam a Sua Voz é constituída por Inês Luzio (direção coral e musical), Bernardo Chatillon (coreografia e desenho do espaço cénico), Leonardo Patrício (orientação e arranjos musicais) Beatriz Rola, responsável pela recolha e pesquisa do cancioneiro e repertório e Carlota Lagido nos figurinos. BLS City & Gira Sol Azul. Com a direção musical de Ana Bento, este concerto reúne jovens do Bairro da Balsa e a banda da associação Gira Sol Azul, e tem a participação especial de Ari Monteiro (La Família Gitana), num encontro que aproxima comunidade e território através de um repertório que cruza rap, hip-hop e sonoridades urbanas, sob direção musical de Ana Bento.
Sobre o coletivo
BLS City é um coletivo formado por jovens do Bairro da Balsa, nascido na sequência do projeto Transmissão, iniciado em 2022 no âmbito do Festival TRiP. O grupo desenvolve um repertório original, dando voz às vivências, identidades e aspirações dos seus participantes. “Quantos Flamingos São Precisos Para Fazer Uma Festa?”, pela companhia Coração nas Mãos Entre o circo, o teatro físico, a dança e a natação sincronizada, este espetáculo para toda a família transforma o espaço público numa celebração colorida e participativa. Inspirada nos flamingos — símbolos de equilíbrio, elegância, sociabilidade e cooperação —, a companhia constrói uma performance coletiva em que amizade e espírito de grupo são o motor da ação, convidando o público a entrar na dança e a integrar esta comunidade improvável de flamingos.
Sobre a companhia
Fundada por duas irmãs unidas pela paixão pelo circo aéreo, a Coração nas Mãos existe como companhia desde 2016. Cruza circo, teatro visual e movimento. O seu trabalho foi já distinguido com o Prémio do Público de Melhor Espetáculo de Rua 2022, na 25a Feria de Teatro de Castilla y León, e com o Prémio do Público de Melhor Espetáculo 2018, no Festival Set, no Porto.
Sérgio Godinho & Filipe Raposo
A encerrar o dia, um recital em formato intimista de voz e piano percorre alguns dos temas mais representativos da obra de Sérgio Godinho, num diálogo entre a voz do autor e o piano de Filipe Raposo. “Explorar de uma outra forma as minhas canções foi uma bela maneira de pensar em mim próprio e nas vidas criativas que fui atravessando”, refere o cantautor sobre este projeto.
Sobre os artistas
Cantor, compositor, escritor e ator, Sérgio Godinho soma cerca de 50 anos de carreira, de “Os Sobreviventes” a “Nação Valente” e ao mais recente “Ao Vivo No São Luiz”, gravado com a Orquestra Metropolitana de Lisboa, sem esquecer o trabalho dirigido ao público mais jovem,
como “Os Amigos do Gaspar” ou “O Pequeno Livro dos Medos”. Acompanha-o Filipe Raposo, um dos pianistas mais talentosos da sua geração.
Estas são as propostas da edição de dia 12 de setembro do Festival TRiP, que vai decorrer no Parque Linear do Rio Pavia, “Um Lugar de Encontros”.

