Novas descobertas arqueológicas no Côa mostram figuras em movimento
Uma equipa de arqueólogos fez novas descobertas de gravuras rupestres representativas da Arte do Côa no sítio arqueológico da Penascosa. As novas descobertas, que representam bovinos selvagens e cavalos em movimento, foram dadas a conhecer esta quinta-feira, 06 de dezembro, no último dia do “Côa Symposium”, que junta especialistas mundiais em arte rupestre, e que hoje termina em Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda
Segundo o arqueólogo Thierry Aubry, um dos investigadores envolvidos nas escavações arqueológicas, “estas novas descobertas vão mudar a visão do sítio arqueológico da Penascosa, já que há um certo movimento nas figuras. Esta nova rocha gravada no xisto vai mostrar que este local é bem mais complexo do ponto de vista arqueológico, do que aquilo que se pensava”. Segundo os arqueólogos da Fundação Côa Parque (FCP) há uma longa sequência cronológica no sítio arqueológico da Penascosa que vai desde os 30.000 até aos 15.000 anos. “As figuras representadas são auroques [ou uruz, uma espécie de bovino primitivo, selvagem] e cavalos em movimento, que estão gravados na rocha de xisto e representam já uma das mais importantes [descobertas] da Arte do Côa”, referiu o arqueólogo.
Thierry Henry explica que é possível ver dois auroques com cabeça virada que, à primeira vista, parecem estar a contar uma história, mantendo um diálogo. “Esta rocha é quase uma banda desenhada com movimento, porque parece que as figuras [auroques e cavalos] nos contam uma história, já que há a representação de várias cenas. Isto, para a arte do paleolítico, é muito importante”, frisou o arqueólogo.
Sempre que se fizerem novas sondagens arqueológicas haverá surpresas
Os arqueólogos da FCP pretendem desmontar com este trabalho, que cada vez que se fizerem novas sondagens arqueológicas, no Vale do Côa, haverá surpresas. As novas gravuras foram descobertas a poucos metros de “rocha 37”, que tem nela gravada uma “cabra”, e que mobilizou um novo interesse por parte dos arqueólogos sobre o sítio arqueológico da Penascosa, situado a escassos metros do rio Côa. “Todas estas novas descobertas estavam tapadas pelos sedimentos das cheias do rio Coa, que escondiam estas obras da arte rupestre”, frisam os arqueólogos envolvidos nas escavações. Estes novos achados vêm demonstrar, na opinião dos especialistas, “a diversidade de um sítio mais clássico”, do parque arqueológico, “onde há gravuras com cerca de 30 mil anos” de antiguidade.
Por seu lado, o presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses, José Arnaut, defendeu que, depois de uma certa “paralisia”, num passado recente, na investigação da Arte do Côa, se está agora no bom caminho, com a “refundação” da Fundação Côa Parque. “Há um retomar da investigação multidisciplinar no Parque Arqueológico do Vale do Côa, e as descobertas feitas nestes últimos dois anos estão a revelar que a Arte do Côa é muita mais ampla e antiga do que aquilo que se pensava inicialmente”, enfatizou José Arnaut.
Passados 20 anos sobre a classificação da “Arte do Côa”, inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO desde 1998, sondagens no Sítio da Penascosa, no âmbito do projeto “PaleoCôa”, colocaram a olho nu novos achados, que carecem ainda de interpretação e leitura por parte dos especialistas em arte rupestre. De acordo com arqueólogos, a arte rupestre do Côa foi uma das mais importantes descobertas arqueológicas do Paleolítico Superior, em finais do século XX, em toda a Europa.