Comunicado PSD Guarda: Cimeira Luso-Espanhola
CARLOS CONDESSO PEDE AOS CHEFES DE ESTADO DE PORTUGAL E ESPANHA QUE REATIVEM A LINHA FÉRREA DO POCINHO A SALAMANCA
Numa altura em que se vai realizar, na cidade da Guarda, a XXXI Cimeira luso-espanhola, que tem como objetivo apresentar uma estratégia de desenvolvimento alicerçada na cooperação transfronteiriça, e nos investimentos que os dois Governos entendem ser prioritários para alavancar estes territórios deprimidos junto à fronteira, Carlos Condesso, Presidente da Distrital do PSD da Guarda e Vereador no Concelho raiano de Figueira de Castelo Rodrigo, pede aos Chefes de Estado de Portugal e de Espanha (António Costa e Pedro Sánchez), que incluam na agenda de prioridades desta Cimeira a reativação da Linha de Caminho de Ferro desde o Pocinho até La Fuente de San Esteban (Salamanca), cuja última localidade do lado português junto à fronteira é Barca d’Alva.
São 106 quilómetros de via férrea internacional que, incompreensivelmente, estão votados ao abandono há mais de 30 anos.
Esta é a altura de passar das palavras aos atos e de os dois Chefes de Estado terem o arrojo e a coragem política de decidirem e colocarem em prática o que todos os agentes económicos dos dois lados da fronteira consideram como estratégico para os dois países.
Este investimento é uma ambição antiga de toda a região, que, a ser concretizado, irá repor a justiça perante um enorme erro executado, do lado português, em 1988, com o encerramento do troço da Linha do Douro entre o Pocinho e Barca d’Alva e, do lado espanhol, em 1985, com o encerramento do troço entre La Fregeneda até La Fuente de San Esteban.
Trata-se, por isso, de um investimento de grande ambição, catalisador de desenvolvimento, que pode transformar esta região transfronteiriça numa nova centralidade da Península Ibérica.
A reativação da ligação internacional por Barca d’Alva até Salamanca, virá desencravar toda esta região, afirmando-se como um vetor valioso e indiscutível na definição de um novo modelo de desenvolvimento territorial transfronteiriço, pois permite uma ligação mais rápida e mais curta da Área Metropolitana do Porto, de toda a região Norte e de toda a região do Douro com a vizinha Espanha, e desde aí a toda a Europa.
A reativação desta linha férrea vem também enquadrar a linha do Douro entre dois importantes polos geradores de tráfego e dotados de infraestruturas de transporte relevantes: o Aeroporto Francisco Sá Carneiro e o terminal de Leixões, com a estação de Alta Velocidade de Salamanca.
Também, ao nível turístico, esta linha é das mais belas e com mais potencial da Europa, visto que contempla pontos estratégicos, constituídos por quatro destinos classificados pela UNESCO como Património Mundial da Humanidade: Porto, Alto Douro Vinhateiro, Parque Arqueológico do Vale do Côa e Salamanca.
Recorde-se ainda que um estudo efetuado em 2016 pela Infraestruturas de Portugal (IP) sobre a viabilidade de requalificação e o potencial de desenvolvimento da Linha do Douro, concluiu que este itinerário ferroviário “seria lógico e de integração funcional”, validando-o como solução natural e incontornável, quer no atendimento das necessidades dos “hinterlands” de plataformas logísticas como o Porto de Leixões e Valongo-São Martinho do Campo, quer no facultar de uma saída atlântica rápida aos “portos secos” da Rede Logística de Castilla-y-León (CYLOG), e a “melhor opção”, nas dimensões técnico-operacionais, económicas e estratégicas.
Também, um estudo da Comissão Europeia, realizado em 2018, no âmbito das políticas de integração e coesão, identificou 48 ligações ferroviárias transfronteiriças com maior potencial de viabilidade, geradoras de maiores benefícios económicos, onde se inclui a Linha do Douro, pelo potencial turístico significativo nesta rota altamente cénica “que servirá não só o Douro Vinhateiro como cidades históricas espanholas das regiões de Salamanca, Ávila e Madrid”.
Por todos estes motivos, este investimento tem de ser visto como um desígnio ibérico. Deste modo, Carlos Condesso lança o repto aos líderes distritais dos diversos partidos políticos, para que unam esforços e reivindiquem também este investimento estruturante para toda a região.
“Este é o momento certo para reivindicarmos esta e outras prioridades de investimento para o nosso distrito, pois a par da Cimeira luso-espanhola, discutem-se agora os investimentos prioritários que farão parte do Plano de Recuperação e Resiliência, que está dotado de 13 mil milhões de euros – a maior ajuda europeia de sempre -, o que seria de todo justo que este projeto mobilizador fosse também integrado neste Plano”, refere Carlos Condesso.
Aos dois Primeiros Ministros apela-se agora a uma atitude de reposição da justiça para com este território da raia, sublinhando aquilo que os próprios têm afirmado publicamente, que têm como objetivo comum aumentar o potencial económico dos locais perto da fronteira. Pois que assim seja e que saibam reconhecer este e outros projetos como de elevado potencial.
Se tiverem essa coragem política de ajudar a fronteira mais pobre e envelhecida da União Europeia e se realmente querem reforçar a tão proclamada coesão territorial, têm de avançar rapidamente com este projeto. Se assim for, ficarão para a História, por fazerem a diferença e terão, certamente, toda uma região fronteiriça e os dois países a aplaudir tal decisão.
