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Diretor: Paulo Menano

ONOSSOCLUBE: Estreia do programa destaca Sporting Clube Celoricense e entrevista com Nuno Fragona


Estreou o primeiro episódio do projeto ONOSSOCLUBE, um novo espaço dedicado à divulgação dos clubes, dos dirigentes e dos atletas da região, com o objetivo de valorizar o trabalho desenvolvido no desporto distrital e dar visibilidade às histórias que, muitas vezes, não chegam ao grande público.

A estreia contou com uma entrevista ao Presidente do Sporting Clube Celoricense, Nuno Fragona, que fez o balanço do seu percurso à frente do clube e abordou os principais desafios do associativismo desportivo.

Logo no início da conversa, o dirigente confirmou que não será recandidato nas próximas eleições, uma decisão que diz ter sido tomada com antecedência. “Não, não me vou recandidatar, foi uma opção já tomada há uns bons meses”, afirmou, explicando que a decisão foi partilhada internamente “no final de janeiro”, para permitir uma transição organizada. “Quem quisesse avançar tivesse a oportunidade de preparar a equipa e o programa eleitoral”, acrescentou, sublinhando que esse é o modelo que considera adequado na vida associativa: “com transparência, com lealdade e com corporativismo”.

Ao fazer o balanço do mandato, Nuno Fragona destacou o trabalho coletivo realizado no clube e a evolução registada ao longo dos últimos anos. “Eu gosto de falar no plural, porque isto é um clube, isto é um conjunto de pessoas, eu nunca gostei de falar no eu, gosto de falar em nós”, referiu, assumindo que a gestão do clube foi exigente, mas recompensadora. “Foram dois anos de trabalho de paixão, muito cansativo, mas que deu frutos”, disse, acrescentando que sai com “sentimento de missão cumprida” e “consciência tranquila”.

O Presidente do Sporting Clube Celoricense destacou ainda o crescimento da ligação entre o clube e a comunidade, sublinhando a envolvência dos adeptos e sócios. “Podemos orgulhar-nos do desempenho do clube a nível social e societário”, afirmou, referindo que o clube vive da participação das pessoas: “há gente que participa nos jogos, gente que acompanha a equipa fora, gente que vive o clube”.

Na análise aos momentos mais marcantes do mandato, Nuno Fragona destacou o torneio André Fernandes como um dos episódios mais significativos. “Foi o momento mais marcante deste mandato, pelo simbolismo que representa”, referiu, sublinhando também o sucesso das camadas jovens: “o campeonato sub-14 foi um enorme sucesso”. Na equipa sénior, lembrou a competitividade demonstrada: “o segundo lugar no ano passado foi um excelente campeonato contra equipas com orçamentos muito maiores”.

A formação foi outro dos temas centrais da entrevista, com o dirigente a reforçar a sua importância estratégica para o futuro do clube. “A formação é fundamental num clube de futebol”, afirmou, explicando que houve um investimento significativo nesta área. “O orçamento para a formação foi bastante elevado, quase ao nível da equipa sénior”, disse, defendendo que o futuro passa pela ligação entre escalões: “tem que haver uma ligação entre as camadas jovens e a equipa sénior”.

Nuno Fragona referiu ainda que a utilização de jovens atletas tem sido cada vez mais uma realidade. “No último jogo, jogou um atleta da formação a titular”, exemplificou, acrescentando que vários jogadores jovens têm sido chamados à equipa principal: “quatro jogadores sub-19 terminaram o jogo”.

O dirigente alertou também para as dificuldades crescentes no associativismo desportivo, sobretudo ao nível dos recursos humanos e da disponibilidade das pessoas. “Uma das dificuldades foi a falta de aderência das pessoas”, afirmou, explicando que esse fator influenciou a sua decisão de não continuar. “Foi um dos motivos pelos quais me levou a não me recandidatar”, disse, alertando que “as obrigações são cada vez mais e as pessoas são cada vez menos”.

Sobre o futuro dos clubes do interior, mostrou preocupação com a sustentabilidade do modelo atual. “Vejo com grande preocupação o futuro do associativismo, nomeadamente a nível desportivo”, referiu, destacando a sobrecarga de exigências. “As pessoas não aparecem, são sempre as mesmas”, lamentou, sublinhando que isso cria dificuldades na organização diária dos clubes.

Na reta final da entrevista, o Presidente deixou uma mensagem de agradecimento e reflexão sobre o trabalho realizado. “Da minha parte foi feito tudo para que o clube crescesse, fosse competitivo e desse alegrias”, afirmou, garantindo que sai com uma avaliação positiva do mandato. Para o futuro, deixou ainda um conselho aos próximos dirigentes: “não há ninguém acima do clube, o clube está acima de todos”, reforçando a importância da união interna. “A união não se pede com slogans, pede-se com atitudes”, concluiu.

O episódio de estreia do ONOSSOCLUBE marca assim o arranque de um projeto que pretende dar palco ao desporto regional e às suas protagonistas, aproximando os clubes das suas comunidades. Mais do que entrevistas, o programa assume-se como um espaço de partilha, reflexão e valorização do trabalho associativo, prometendo continuar a dar voz às histórias que ajudam a construir o panorama desportivo do interior.