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Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: A Proteção Civil começa em cada um de nós


Quando se fala em Proteção Civil, é natural que o pensamento nos leve imediatamente para os bombeiros, para o INEM, para as forças de segurança ou para as imagens de grandes incêndios e outras catástrofes que ocupam os noticiários.

Mas será que a Proteção Civil se resume ao momento da emergência?

Na minha perspetiva, não.

A verdadeira Proteção Civil começa muito antes de qualquer ocorrência. Começa na prevenção, na informação e na responsabilidade de cada cidadão.

Vivemos num país exposto a diversos riscos. Todos os anos enfrentamos incêndios rurais, ondas de calor, cheias, tempestades e acidentes de diferentes naturezas. Além disso, sabemos que Portugal é um país com risco sísmico, embora muitas vezes esse tema passe despercebido até ocorrer um sismo que nos recorde essa realidade.

Perante estes desafios, é legítimo perguntar: estamos realmente preparados?

A resposta depende, em grande parte, de cada um de nós.

Conhecemos os riscos da nossa área de residência? Sabemos como agir perante um sismo? Temos os números de emergência acessíveis? Sabemos interpretar um aviso meteorológico ou um alerta das autoridades?

São perguntas simples, mas fundamentais.

A Proteção Civil não vive apenas dos meios de socorro. Vive também da capacidade de antecipar problemas, reduzir vulnerabilidades e preparar as comunidades para responder de forma adequada quando algo acontece.

É por isso que a prevenção deve ser uma prioridade permanente e não apenas uma preocupação sazonal. Não pode existir apenas durante a época de incêndios ou quando uma tragédia ocupa as notícias. Deve fazer parte da nossa cultura cívica, da educação nas escolas, das políticas públicas e dos hábitos do dia a dia.

Os municípios, as escolas, as associações, os agentes de proteção civil e os órgãos de comunicação social têm um papel importante neste processo. Mas nenhum esforço será suficiente sem o envolvimento dos cidadãos.

Cada pequeno gesto conta. Limpar um terreno, respeitar as regras de segurança, informar um vizinho mais vulnerável ou conhecer as medidas de autoproteção são ações que podem parecer simples, mas que contribuem para comunidades mais resilientes.

A Proteção Civil é, acima de tudo, uma responsabilidade partilhada.

Enquanto sociedade, continuamos muitas vezes a valorizar mais a resposta do que a prevenção. Aplaudimos, e bem, o trabalho desenvolvido pelos agentes de proteção civil nas situações mais difíceis. Contudo, o maior sucesso da Proteção Civil acontece, muitas vezes, quando não há notícia para dar. Quando um risco foi identificado a tempo. Quando uma população soube como agir. Quando uma tragédia foi evitada.

Esse é, talvez, o maior desafio que temos pela frente: criar uma verdadeira cultura de prevenção.

Porque proteger vidas não começa quando se liga o 112.

Começa muito antes. Começa em cada um de nós.

Luís Miguel Martins

Técnico de Proteção Civil