Mais Beiras Informação

Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: Espanha conquista segundo Campeonato do Mundo


Equipa orientada por Luis de la Fuente venceu a Argentina de Messi por 1 0, sustentada numa defesa que sofreu apenas um golo em oito jogos e numa geração liderada por Rodri, Cubarsi e Lamine Yamal.

A Espanha é, novamente, campeã do mundo. No domingo à noite, em Nova Jérsia, uma geração jovem e ambiciosa de jogadores espanhóis venceu de forma pragmática a Argentina de Lionel Messi, aguentou o resultado sob pressão e ergueu o troféu pela segunda vez na história do país.

Ninguém esperava fogo de artifício, e ninguém o viu. Durante 105 minutos, Espanha e Argentina anularam-se mutuamente num duelo tenso e tático no MetLife Stadium, sem que nenhuma das equipas conseguisse furar o bloco adversário no tempo regulamentar. A Espanha controlou a posse de bola, somando 64,6% apenas na primeira parte, mas o bloco defensivo argentino não cedeu. Foi precisamente essa resistência prolongada que tornou o desfecho ainda mais dramático: no prolongamento, o suplente Ferran Torres decidiu a partida com um remate de vólei aos 106 minutos, frustrando a tentativa argentina de se tornar bicampeã consecutiva. A Argentina terminou o encontro reduzida a dez jogadores, o que acrescentou tensão a uma partida já sufocante.

Se a final foi decidida nos detalhes, a base dessa vitória construiu-se muito antes. Embora o talento ofensivo espanhol tenha dominado as manchetes ao longo do torneio, foi a defesa que sustentou o percurso até à decisão. A Espanha sofreu apenas um golo em oito jogos disputados — um dos registos defensivos mais notáveis da história recente dos Mundiais. O guarda-redes Unai Simon foi recompensado com a Luva de Ouro do torneio. Esta solidez ficou patente na vitória por 2-0 sobre a França na meia-final, e voltou a manifestar-se na final, resistindo até aos instantes finais do prolongamento. Para uma seleção historicamente associada a um futebol de posse e estética, a capacidade de também vencer partidas mais fechadas representa uma evolução genuína — e ajuda a explicar por que este grupo foi mais longe do que os anteriores.

As comparações com elencos espanhóis recentes são, de facto, inevitáveis — e pouco favoráveis às equipas que os antecederam. O grupo eliminado nos oitavos-de-final do Catar 2022 tinha talento, mas não nesta escala, nem com esta organização. Rodri, capitão da seleção, foi eleito o melhor jogador do torneio, consolidando o seu estatuto como o médio mais influente desta era espanhola. Pau Cubarsi, com apenas 19 anos, foi eleito o melhor jovem jogador da competição, tendo disputado todos os minutos de todas as partidas e recebido apenas um cartão amarelo. Lamine Yamal, Pedri e Nico Williams deram à Espanha um poder de ataque que os elencos anteriores, frequentemente criticados por excesso de cautela, simplesmente não possuíam. Enquanto as seleções de 2014 e 2018 dependiam de veteranos remanescentes da geração
de ouro de 2008-2012, a equipa atual é mais jovem, mais objetiva e mais equilibrada entre criatividade e solidez.

Essa diferença de qualidade não surgiu por acaso, e tem um nome associado: Luis de la Fuente. O seu caminho até este momento resultou de quase uma década nas categorias de formação da seleção espanhola — primeiro nos sub 19, a partir de 2013, conquistando o título europeu em 2015, depois nos sub-21, entre 2018 e 2022, período em que venceu outro campeonato europeu. Muitos dos atuais titulares já haviam trabalhado sob o seu comando ainda na adolescência, uma relação que o próprio técnico descreve como central para o sucesso da equipa. Assumiu oficialmente o comando da seleção principal a 1 de janeiro de 2023 e tornou-se, desde então, o único treinador da história a
conquistar o Campeonato Europeu nas categorias sub-19, sub-21 e principal, além da Liga das Nações — e agora, também o Mundial. Antes da final, recordou o seu primeiro encontro com Messi ainda no futebol de formação: treinava então a equipa jovem do Sevilha e viu o seu marcador ser substituído a meio de uma partida da Copa del Rey contra o Barcelona, resultando em quatro golos do então adolescente argentino.

É essa combinação de fatores que explica o título conquistado. A continuidade no comando técnico permitiu a De la Fuente herdar jogadores que já conhecia intimamente desde a adolescência. Uma notável fábrica de talentos — sobretudo as camadas jovens do Barcelona — produziu Yamal, Pedri e Cubarsi quase simultaneamente, uma concentração raramente vista no futebol espanhol. E a maturidade tática permitiu conciliar o tradicional futebol de posse com uma solidez defensiva inédita, vencendo partidas fechadas e de poucos golos que, no passado, costumavam ser fatais para as seleções espanholas. No final do jogo, milhares de pessoas já tinham tomado a Plaza de Colón, em Madrid,
transformando a capital espanhola numa grande festa de rua que se prolongou noite dentro.

Fontes de informação consultadas:

Al Jazeera: https://www.aljazeera.com/sports/2026/7/19/what-happened-in-the-first-half-of-the-spain-vs-argentina-world-cup-finalaljazeera

BBC: https://www.bbc.com/news/videos/cgr701xrg14o

FIFA: https://www.fifa.com/en/tournaments/mens/worldcup/canadamexicousa2026/articles/luis-de-la-fuente-rodrigo-final-argentina

Olympics: https://www.olympics.com/en/news/fifa-world-cup-2026-spain-argentina-final-score-lineups-live-updates

RFI: https://www.rfi.fr/en/sports/20260720-spain-squeeze-the-life-out-of-argentina-to-take-away-big-new-world-cup-world-cup-2026

Transfermarkt: https://www.transfermarkt.com/luis-de-la-fuente/profil/trainer/20031

Hugo Andrade