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Diretor: Paulo Menano

OPINANDO: Entre vencedores e campeões no futebol de formação


No futebol distrital da Guarda, está a instalar-se uma realidade que merece reflexão séria.

A forma como se organiza a segunda fase dos campeonatos — dividindo as equipas por séries de primeiros, segundos e terceiros — é, à partida, legítima e até competitivamente interessante. O problema começa quando se decide atribuir o título de “campeão” a todos os vencedores dessas séries.

Antes de mais, importa dizer isto com total clareza: esta reflexão não pretende, de forma alguma, colocar em causa o trabalho, o empenho e o mérito dos clubes vencedores dessas séries. A todos eles, o devido reconhecimento.

Ganhar, seja em que contexto for, exige dedicação, competência e espírito competitivo. E isso nunca pode ser desvalorizado.

Mas no desporto, as palavras têm peso, história e significado. E “campeão” não pode — nem deve — ser uma palavra banalizada.

Campeão, por definição, é quem vence a principal competição. Neste caso, quem triunfa na série dos primeiros — a verdadeira elite da prova — e que, legitimamente, conquista o direito de subir aos campeonatos nacionais. Esse é o topo. Esse é o objetivo maior. Esse é o verdadeiro campeão.

Chamar “campeão” a quem vence a série dos terceiros ou dos segundos é, no mínimo, discutível.

Ao estender esse título a outras séries, está-se a criar uma realidade que pode gerar alguma confusão.

Não é minha intenção criticar os clubes, mas festejam com faixas, levantam taças, recebem medalhas e proclamam-se campeões… e fazem-no com toda a legitimidade emocional. Mas, em termos competitivos, não atingiram o nível máximo da prova.

E aqui importa reforçar uma ideia essencial: nunca podemos retirar mérito a quem vence uma competição no seu todo.

Esse feito — alcançar o topo máximo de uma prova — deve ser distinguido de forma clara e inequívoca. É esse o verdadeiro espírito competitivo, aquele que distingue o melhor entre os melhores.

O desporto constrói-se também pela verdade competitiva. Pela clareza dos objetivos. Pela distinção entre vencer… e ser o melhor. Não é a mesma coisa.

Talvez fosse mais justo — e até mais pedagógico — adotar designações diferentes: “vencedor da série”, “líder da fase”, ou outra, que reconheça o mérito sem deturpar o conceito de campeão.

Porque no futebol, como na vida, nem todos podem ser campeões. E isso não diminui ninguém — pelo contrário, valoriza ainda mais quem realmente o é.

Está na altura de refletir. De respeitar a essência da competição. E de devolver às palavras o seu verdadeiro significado.

Paulo Menano